É parte de uma cultura popular crer que Nietzsche disse "Deus está morto". Tecnicamente, não foi exatamente ele quem disse isso. Essa frase foi proferida por um louco, um personagem de um livro seu chamado Assim falou Zaratustra. Da mesma forma que não foi Shakespeare quem disse "ser ou não ser, eis a questão", mas Hamlet, um de seus personagens, não foi Nietzsche quem disse "Deus está morto". Algumas pessoas fazem até piadas com essa frase, achando-se espertas ao colocar a frase "Nietzsche está morto" na boca de Deus.
Mas o que Nietzsche queria dizer com isso? É óbvio que ele não dizia que o homem literalmente matou Deus, um ser metafísico. Segundo Reale (1995, p. 22), "o significado da afirmação da morte de Deus tem um alcance bem mais amplo do que o de exprimir uma forma de ateísmo comum". Nietzsche se referia na verdade ao que Deus representava para a cultura européia, à crença cultural compartilhada em Deus que no passado havia sido a característica que unia e definia a Europa. Nietzsche estava falando da Europa sem Deus, falando que a noção cristã de Deus estava morta, que não podia mais ser racionalmente aceita. Ele falava da decadência da metafísica no pensamento ocidental.
No tempo de Nietzsche, a ciência, a política e a arte estavam deixando Deus para trás, como algo do passado. Deus havia ocupado até então o centro do conhecimento e do sentido da vida, mas não mais.
A "morte de Deus" não deve ser entendida como uma blasfêmia ou uma afronta gratuita proferida por Nietzsche, como pensam muitos religiosos. Ela é uma constatação de uma situação histórica do pensamento ocidental.
Heidegger, citado por Reale (1995, p. 24), afirma que
"enquanto entendermos a expressão 'Deus está morto' apenas como a fórmula da descrença, só estaremos pensando no modo teológico-apologético, renunciando ao objetivo do pensamento de Nietzsche, ou seja, à reflexão que tende a pensar o que já aconteceu à verdade do mundo supra-sensível e à sua relação com o mundo sensível."
E Reale (Ibid.) conclui: "A 'morte de Deus', portanto, significa o desaparecimento da dimensão da transcendência, a anulação total dos valores ligados a ela, a perda de todos os ideais."
REALE, Giovanni. O saber dos antigos - terapia para os tempos atuais. São Paulo: Edições Loyola, 1995.
em vernaculo: Deus que Nietzsche esta se referindo e a superestrutura