A gravata como símbolo do pênis

Posted: 11.8.08 by Glauber Ataide in Marcadores:
24

Algumas peças do vestuário humano são indispensáveis, se considerarmos que sua função básica é proteger o corpo contra os extremos do frio e do calor, assim como encobrir decorosamente algumas de suas partes. Outras peças, no entanto, cumprem apenas funções periféricas, acessórias. Vamos analisar brevemente, de uma perspectiva psicanalítica, o uso de uma dessas peças acessórias: a gravata.

Se considerarmos uma calça, por exemplo, verificamos que ela tanto cumpre a função de proteger o corpo do ambiente externo quanto de encobrir algumas de suas partes. Mas alguns acessórios, mesmo que não cumprindo nenhuma dessas funções básicas, são todavia de grande utilidade, como o cinto, por exemplo. Ele cumpre a função de manter a calça suspensa e rente à cintura, e seria impossível a algumas pessoas usar determinadas calças sem o seu auxílio.

Mas algumas peças acessórias, além de não cumprirem nenhuma das funções básicas do vestuário (justamente por serem acessórias), não têm nem mesmo uma utilidade razoável, justificável. Uma instância que podemos apontar é a gravata.

A gravata é uma tira de tecido, estreita e longa, que é usada em volta do pescoço, e amarrada em nó na parte da frente. Mas que função ela cumpre no vestuário? Certamente ela não protege o corpo dos extremos do frio e do calor, e nem mesmo cumpre uma utilidade justificável, como o cinto, por exemplo. O uso da gravata, na verdade, serve hoje a fins meramente estéticos e simbólicos (apesar de ter sido utilizada inicialmente para enxugar o suor do rosto, função esta que historicamente se perdeu).

Um símbolo, grosso modo, é um tipo de representação que remete a uma outra realidade. Se a gravata é um símbolo, a que realidade ela remete? Ela é um símbolo de que? Com qual finalidade?

Quando falamos em símbolos na Psicanálise, estamos falando de símbolos inconscientes. Esses símbolos se manifestam, por exemplo, na cultura popular, em poemas, em mitos, nas religiões, em músicas e, especialmente, nos sonhos.

Freud, em sua obra "A interpretação dos sonhos", afirma na seção de representação por símbolos, no capítulo VI, que

"Nos sonhos produzidos por homens, a gravata aparece amiúde como símbolo do pênis. Sem dúvida, isso ocorre não apenas porque as gravatas são objetos longos, pendentes e peculiares aos homens, mas também porque podem ser escolhidas de acordo com o gosto - uma liberdade que, no caso do objeto simbolizado, é proibida pela Natureza."
Mais à frente, em uma nota de rodapé, ele ainda registra um sonho de um paciente em que a gravata aparece como símbolo do pênis.

Mas essa escolha não é arbitrária, e há algumas correlações que podemos apontar entre a representação simbólica do uso da gravata e o pênis enquanto encarnação do Falo.

Em primeiro lugar, como já observado anteriormente, a gravata não tem nenhuma função útil na composição do vestuário. Poderíamos muito bem passar sem ela. Dessa forma, sua finalidade é puramente estética e simbólica.

Em segundo lugar, devemos reparar nas ocasiões em que o uso da gravata se faz socialmente desejável ou mesmo imperativo. Os homens usam gravatas quando querem passar uma impressão de autoridade, respeitabilidade, poder, potência, seriedade, confiabilidade, entre outras coisas.

Em terceiro lugar, tanto o pênis quanto a gravata são objetos que ficam pendurados na parte frontal do corpo masculino. Mas enquanto o pênis é dependurado um pouco abaixo da cintura, a gravata fica dependurada no pescoço. Se a grava fosse usada na altura da cintura, sua semelhança com o pênis ficaria de tal forma evidente que qualquer um reconheceria sua finalidade simbólica. No entanto, ocorre um deslocamento de seu local de uso.

Em quarto lugar, quando nos voltamos para o conceito psicanalítico de Falo, percebemos como fica mais clara a correlação simbólica gravata-pênis.

David E. Zimerman, em sua obra Fundamentos Psicanalíticos, afirma ser "... o falo, na antiguidade greco-romana, a representação simbólica do poder, concentrada no órgão anatômico pênis...".

O psicanalista J. -D. Nasio aponta nessa mesma direção na obra "Édipo - o complexo do qual nenhuma criança escapa", quando afirma ser o pênis uma encarnação do "símbolo de potência" do Falo.

O Falo não é uma simples representação peniana. Ele é símbolo de poder, de potência, ou ainda mais: de onipotência. Assim sendo, o pênis, enquanto que uma encarnação, uma representação simbólica do Falo, é uma representação de força, de poder, de autoridade.

A partir disso podemos compreender que a gravata, pelo fato de ser utilizada em determinadas ocasiões e visando causar determinadas impressões (de autoridade, respeito, força, etc.), que são as mesmas simbolizadas pelo Falo, é uma representação de sua encarnação, a saber, do pênis.

De outra forma, podemos dizer que os homens, por não poderem exibir socialmente seus próprios órgãos genitais, elegem de forma inconsciente um substituto simbólico, em dimensões ampliadas, quando querem demonstrar possuir as características fálicas (de poder, potência, etc.) encarnadas pelo pênis.

24 comentários:

  1. Morgana says:

    é, pelo o que se sabe,homem e o macaco tiveram um ancestral comum. O homem não descende do macaco e tal...

    eu vou pesquisar umas coisas e depois posto no blog

  1. Eu discordo. Já eu acho que a epistemologia dos ancestrais físico quânticos descenderam da pluralidade relativista da oitava dissonância analógica, pois se assim não for, onde haverá uma enfermidade neuromuscular congênita que provoca uma atrofia progressiva das extremidades?
    Pois, na verdade, há sabedoria em não crer saber aquilo que tú não sabes, não é mesmo?
    E quem amagafar os amagafinhos bom amagafigador será, como um sábio que soube saber que o sabiá sabia assobiar.
    E eles todos tem pneumoltramicroscopicossilicovulcanoconióse e hipopotomonstrosesquipedaliofobia.

    Estou errado?

  1. Parabens Glauber Ataide, pelo exelente comentário de origem etimológica e psicanalítica sobre a "gravata", desde que descobri o significado do "falo" segundo as obras de freud, confesso que fiquei surpreso de um costume europeu (região fria), ter enraizado permanentemente em nossa cultura de clima tropical. Além disto muitos executivos, autoridades e religiosos, não abrem mão do uso de uma gravata (falo), se eles tivessem a mínima idéia ou conhecimento da representatividade ou simbolismo sexual da gravata (falo), alguns logo mudariam seus conceitos e ponto de vista de um elemento cultural(gravata) herdado dos colonizadores portugueses, que não tem nada a ver com os fatores contextualizantes da nossa realidade brasileira.

  1. Olá sou professor e pedagogo. nas minhas aulas de Artes, do fundamental ao segundo grau, quando numa abordagem da moda, falo sobre a hitória das roupas e cito o exemplo da gravata e a surpresa é geral. Mesmo entre colegas professores a ignorância sobre o assunto é quase total. Mas os religiosos sabiam disso,pelo menos antigamente, daí a gola clerical e o não uso da gravata por padres e pastores proterstantes em certa época.

    Um abraço.

  1. Não somente a gravata é um símbolo fálico. Há o revólver, as espingardas, as torres, os cajados, as bengalas, as bananas, as flautas, os cacetetes, enfim são inúmeros e todos, na minha opinião, servem como fonte de autoafirmação para o homem, uma extensão do seu pênis, denotando poder sexual, econômico ou social.

  1. Ester says:

    Parabêns pelo texto e pelo Blog, o texto é claro e coeso! Principalmente em um assunto tão delicado e ainda cercado de tantos preconceitos!

  1. Na Psicanálise, o fator primordial do homem em relação a tudo é o seu subconsciênte, e isso abranje vários assuntos, como linguagem corporal, sonho, desejos, e como exemplo a propria teoria de Édipo.
    E é essa a chave para a grava como utensílio, como também o formato do cigarro na boca de quem fuma por exemplo... sua observação é maravilhosa e de extrema importancia.

  1. Talvez faça mesmo algum sentido. O detalhe é que nada tem sentido efetivamente, mas somos nós quem atribui um sentido às coisas. Freud vai sempre relacionar tudo ao sexo, à energia sexual. Se alguém negar, ele diria que está num nível inconsciente. Mas nessa lógica uma mangueira de aguar o jardim também é um símbolo fálico, as encanações, daqui a pouco até os braços. Freud gosta de forçar a barra um pouco. Acho que ele era obcecado, como ninguém nunca foi, por falos.

  1. Tudo aqui é visto de forma distorsiva, Freud q se dane com suas louca-teorias psíquicas retorcisas da realidade.
    Como disso o grande apóstolo Paulo: tudo é nada, e sem vida. Eu creio no Cristo RESSURRETO E PONTO FINAL. DÂNE-SE O SIMBOLISMO! O SANGUE DE CRISTO ME COMPROU DESSAS ABERRAÇÕES INCOESAS!!!

  1. E a gravta borboleta tem alguma simbologia?

  1. Engraçado ver uma boa parte de gente inteligente se prestando a uma pessoa que se quer pode ser notada como uma pessoa normal,quer dizer então que só ele está certo? Se será que ele era ateu? Qual a certeza que ele tem da vida humana? Qual a certeza que ele tem de Deus? Acho que o mundo não deu crédito a essa louca interpretação sobre gravatas, pois vejo o mundo usando até hoje em altíssima larga escala, em todas as partes do mundo,não como sinônimo de poder,de pênis grande, kkkkk,mais sim como parte ou apetrecho de traje social universal. Muitos dos quais são uniformes de trabalho.

  1. Engraçado ver uma boa parte de gente inteligente se prestando a uma pessoa que se quer pode ser notada como uma pessoa normal,quer dizer então que só ele está certo? Se será que ele era ateu? Qual a certeza que ele tem da vida humana? Qual a certeza que ele tem de Deus? Acho que o mundo não deu crédito a essa louca interpretação sobre gravatas, pois vejo o mundo usando até hoje em altíssima larga escala, em todas as partes do mundo,não como sinônimo de poder,de pênis grande, kkkkk,mais sim como parte ou apetrecho de traje social universal. Muitos dos quais são uniformes de trabalho.

  1. Gravata é um falo ou um pênis.
    É como o obelisco que tem a forma de um pênis que está em diferentes cidades do mundo que representa pênis do deus Sol.
    Podemos encontrar um deles no centro do Vaticano.

    É um ídolo.

    Obelisco
    Existem poucos obeliscos grandes no mundo. De acordo com Epperson em seu livro, “The New World Order”, o primeiro grande obelisco foi trazido do Egito e implantado na Praça da Basílica de São Pedro, no Vaticano, e está posicionado de tal forma que todo Papa ao falar à multidão na praça, encara o obelisco de frente.

    Um autor de livros de “Nova Era”, Peter Tomkins, informa os mesmos fatos em seu livro “The Magic of Obelisks”, Harper and Row, New York, 1982.


    Mas, o que são ‘obeliscos’ e a que se destinam? O autor de “Nova Era” Peter Thomkins descobriu a resposta. Pesquisando o assunto, ele "encontrou o mundo escuro da feitiçaria, do vodu, da demonologia, e os recônditos ocultos da mente humana".


    Em outras palavras, esse autor de Magia Branca descobriu que os obeliscos representavam o mundo do praticante da Magia Negra! O propósito do obelisco era adorar o antigo deus egípcio do Sol, chamado Rá.

    Pastor Chris

  1. Tem um obelisco também no tumulo da Profetisa dos Adventistas do Sétimo Dia, (Ellen G. Whit)

  1. Tem um obelisco também no tumulo da Profetisa dos Adventistas do Sétimo Dia, (Ellen G. Whit)

  1. De verdade que a interpretação de Freud está correta sobre gravatas? Pessoal bom senso ajuda, pesquise sobre gravatas, origem, pois desde o séculos remotos os chineses já a usavam. Não acreditem em tudo que aparece sem antes esaminar sua realidade....tem maluco para tudo no mundo... Fued era homem de idéias fabulosas, mas com muitos pensamentos diferente da razão, em muitos casos ele defende que ele tem razão e que todos devem pensam como ele......

  1. A gravata no passado e no presente
    HÁ MILÊNIOS os homens adornam a garganta e o pescoço. Por exemplo, por volta de 1737 AEC, o Faraó do Egito deu a José um colar de ouro. — Gênesis 41:42.

    Hoje em muitas partes do mundo, os homens usam o que chamamos de gravata. Segundo várias fontes, os primeiros tipos de gravata surgiram na Inglaterra e na França, na parte final do século 16. Os homens usavam um casaco chamado gibão e, como enfeite, um rufo no pescoço. Em geral, o rufo, que podia ter vários centímetros de espessura, era um disco grande e chato que circundava o pescoço. Era feito de tecido branco e engomado para manter a forma.

    Com o tempo, o rufo foi substituído pelo chamado cabeção de linho: uma gola branca que cobria os ombros e caía sobre a parte de cima dos braços. Era também chamado de gola ou cabeção à Van Dyck. Os puritanos, entre outros, o usavam.

    No século 17, estava na moda o colete, usado por baixo da sobrecasaca. Usava-se uma espécie de cachecol (a cravat), que era enrolado no pescoço mais de uma vez e cujas pontas soltas ficavam pendendo sobre a camisa. Pinturas do fim do século 17 mostram que esse tipo de adorno era muito popular naquela época.

    As cravats eram feitas de musselina, batista ou renda. As de renda eram muito caras. Diz-se que Jaime II, da Inglaterra, pagou 36 libras e 10 xelins por uma cravat para sua coroação, o que era muito dinheiro na época. Algumas cravats de renda eram grandes. Carlos II tinha uma com 15 centímetros de largura e 86 centímetros de comprimento, como mostra sua efígie na Abadia de Westminster.

    Usavam-se muitos tipos de nó. Em alguns casos, colocava-se uma fita de seda sobre a cravat para mantê-la na posição e ela era então amarrada num grande laço sob o queixo. Esse estilo era chamado de solitário. O laço parecia uma gravata-borboleta moderna. Havia pelo menos cem maneiras de dar o nó numa cravat. Dizem que Beau Brummell, um inglês que influenciou os estilos de roupas masculinas, gastou uma manhã inteira dando o nó numa cravat para que ele ficasse certinho.

    Por volta de 1860, a cravat com extremidades compridas começou a ficar parecida com as versões modernas de gravata e passou a ser chamada por esse nome. Também foi chamada de gravata de nó escorregadio. As camisas com colarinho estavam na moda. A gravata era amarrada sob o queixo e as pontas compridas ficavam pendendo sobre a camisa. Foi assim que surgiu a gravata moderna. Outro tipo, a gravata-borboleta, se tornou popular nos anos 1890.

    Hoje, muitos consideram a gravata uma parte importante do vestuário masculino. Algumas pessoas até julgam estranhos com base no tipo de gravata que usam. De modo que é bom usar gravatas limpas e com padronagens e cores que combinem com a camisa, as calças e o paletó.

    O nó escolhido deve ser bem feito. Um dos tipos mais populares é o nó escorregadio (ou corredio). É elegante, simples e amplamente aceito em ocasiões formais. Outro nó popular é o nó inglês (Windsor), um pouco mais largo. Em geral, se faz uma depressão na gravata logo abaixo do nó.

    Muitos homens se sentem desconfortáveis quando usam gravata. Não gostam da pressão no pescoço. Alguns que tiveram esse problema, porém, descobriram que o desconforto tem mais que ver com o tamanho da camisa. Se esse for o seu problema, verifique se o colarinho da camisa não é muito apertado. Se for do tamanho adequado, você talvez nem note que está de gravata.

    Em muitos países, a gravata é considerada peça essencial da roupa usada em ocasiões formais ou nos negócios. Por isso, muitos homens cristãos usam gravata ao participar em aspectos formais do ministério. De fato, um pedaço de tecido ao redor do pescoço do homem pode dar-lhe dignidade e fazê-lo parecer respeitável.
    Fonte Site JW.ORG http://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/102000405

  1. Última frase do comentário do João Carlos Di Fabio: "De fato, um pedaço de tecido ao redor do pescoço do homem pode dar-lhe dignidade e fazê-lo parecer respeitável."

    Verdade, pode fazer o homem parecer respeitável, e nosso texto diz isso em seu último parágrafo:

    "De outra forma, podemos dizer que os homens, por não poderem exibir socialmente seus próprios órgãos genitais, elegem de forma inconsciente um substituto simbólico, em dimensões ampliadas, quando querem demonstrar possuir as características fálicas (de poder, potência, etc.) encarnadas pelo pênis."

  1. Melhor resposta.

  1. É preciso ter muita fé para acreditar em tanta asneira que saiu da boca de Freud, um apaixonado por falos.

  1. Dihego, desenvolva seu argumento.

  1. Este comentário foi removido pelo autor.
  1. Quando voce está de paletó bem alinhado e de gravata . Você pode andar até com uma USE . Que ninguém te para os agentes de segurança no intuito deles pensam . Não vou para esse cara pois ele pode ser Juiz , advogado e delegado . É melhor eu nem chegar perto pois posso tomar um processo diciplinar .