Ontologia

Posted: 5.8.09 by Glauber Ataide in Marcadores:
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A Ontologia, de uma maneira geral, pode ser definida como “a doutrina do ser e das suas formas” (ABBAGNANO, 2007, p. 848). Este termo hoje é às vezes usado como sinônimo de Metafísica por alguns autores, mas outros preferem fazer uma distinção, classificando a Ontologia como uma área específica da Metafísica. A razão disso é que eles consideram o termo Ontologia a) mais geral e neutro e b) mais conciliável com uma perspectiva empirista (Ibid., p.848). Segundo Abbagnano, no que se refere a a), enquanto o termo Metafísica parece pressupor a priori (ou seja, antes ainda de demonstrar) uma dimensão metassensível e metanatural, o termo Ontologia limita-se a assinalar a existência de um problema do ser que pode ser resolvido de maneiras diferentes (ou seja, não só em direção a uma metafísica transcendentalista, mas também em direção a uma metafísica imanentista. Quanto a b), a Ontologia, entendida como exposição ordenada dos caracteres fundamentais do ser que a experiência revela de modo repetido e constante, parece conter, em si mesma, um aspecto descritivo ou denotativo capaz de eliminar a velha oposição entre metafísica e experiência.

Autores como Moreland e Craig (2005), por exemplo, utilizam o termo Ontologia como sinônimo de Metafísica, ao afirmarem ser as duas divisões principais da metafísica a "ontologia geral (às vezes simplesmente chamada de ontologia) e a metafísica especial". Segundo os autores, a ontologia geral é o aspecto mais básico da metafísica, e se caracteriza por três tarefas principais que compõem esse ramo de estudo metafísico:

Primeiro, a ontologia geral enfoca a natureza da existência em si. O que é ser ou existir? A existência é uma propriedade que determinada coisa possui? O nada em si existe em algum sentido? Há um sentido de ser para o qual objetos fictícios, como o cavalo alado Pégaso, venham a ser, embora não existam? [...] Segundo, em ontologia geral estudamos os princípios gerais do ser, as características gerais que são a verdade de todas as coisas, quaisquer que sejam. Filósofos medievais usaram o termo transcendental para representar todos os aspectos que caracterizam todos os diferentes tipos de entidades que existem. [...] Terceiro, a ontologia geral inclui o que é denominado de análise categorial. É possível classificar ou agrupar as coisas existentes de diversos modos, variando entre os tipos de classificação desde aqueles muito específicos até os muito amplos. (MORELAND; CRAIG, 2005, p. 225)

Já Morente (1980), por sua vez, define a Ontologia como o “estudo dos objetos, todos os objetos, qualquer objeto, seja qual for”. Para ele, toda a Filosofia pode ser dividida em duas grandes áreas, quais sejam, a Ontologia e a Gnosiologia. Dizendo de outra forma, a Ontologia é a disciplina que “se ocupa do ser, ou seja, não deste ou daquele ser concreto e determinado, mas do ser em geral, do ser na acepção mais vasta e ampla desta palavra”, sendo esta concepção, portanto, mais próxima daquela segunda apresentada por Abbagnano, isso é, mais geral e mais neutra.


REFERÊNCIAS

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

MORELAND, J.P.; CRAIG, William Lane. Filosofia e Cosmovisão Cristã. São Paulo: Edições Vida Nova, 2005.

MORENTE, Manuel Garcia. Fundamentos de Filosofia: Lições Preliminares. 8ª ed. São Paulo: Mestre Jou, 1980.

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