A "natureza humana" para a burguesia

Posted: 19.10.09 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
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O capitalismo é um sistema baseado na exploração e no lucro. A chamada "globalização", que não é mais do que um eufemismo para a fase imperialista deste sistema, polarizou a miséria no mundo inteiro, evitando que os efeitos nefastos deste modo de produção sejam sentidos em toda sua força dentro das fronteiras nacionais dos países mais ricos.

Não obstante, a burguesia, para justificar este mundo no qual ela domina e apresentá-lo como o melhor possível, recorre a toda forma de artifícios ideológicos. Um deles é apelar para a "natureza humana", para mostrar como este sistema é "natural".

Para justificar a competição e a falta de ética nas relações sociais e humanas, ela aponta o reino animal e nos lembra que somos isso: animais. Apenas os mais aptos sobrevivem. Inspirada no darwinismo, ela nos lembra pelo Discovery Channel e pelo Globo Repórter que aquilo que acontece nas savanas - leões caçando zebras e tantos outros animais engolindo outros - é o que acontece no mercado e em nossas relações sociais.

Mas há uma grande contradição nisso tudo. Ao mesmo tempo em que ela apela ao que há de mais baixo, de mais animal na natureza humana para justificar o capitalismo, é justamente o que há de mais nobre no homem que permite que esse sistema se mantenha. É justamente a capacidade de frear as pulsões humanas de destruir, roubar e matar o que permite que a burguesia perpetue o sistema de propriedade privada.

Um estado de completa selvageria social só é evitado porque o homem é um animal superior, é o único ser capaz de dizer "não" aos seus impulsos, segundo o filósofo Max Scheler em sua obra "A posição do homem no cosmos". Scheler nesta obra também recorre a Freud e nos lembra que o homem é o único ser capaz de sublimar suas pulsões, isso é, transformá-las ou canalizá-las para as mais altas construções culturais.

Essa é a posição contraditória da ideologia burguesa: ao mesmo tempo em que a competição, a falta de ética e a eliminação dos "menos aptos" é justificada pelo que há de mais animal no homem, a atual organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção só pode ser sustentada apelando para o lado mais nobre e superior do homem, por sua capacidade em obedecer a normas éticas em detrimento de determinações biológicas.

1 comentários:

  1. O Homem e suas contradições!
    É fato! Se elas não existirem não haverá sistema que se justifique!!!

    Muita boa sorte!

    Bruna Geovanini Varniër