Produção de mercadorias no capitalismo

Posted: 23.6.10 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
7

Quadrinho sobre a extração da mais-valia. Clique na imagem para ampliar.




7 comentários:

  1. Jether says:

    Glauber, você já leu "The Capitalist Manifesto" de Mortimer Adler, autor do "How to Read a Book", que vc disse que mudou radicalmente sua vida de leitor?

    Lá ele propõe que os trabalhadores recebam empréstimo sem juros para adquirir capital (máquinas etc) sem que tenham que economizar de seus salários para pagar esses empréstimos, pois esses empréstimos seriam pagos justamente pelos rendimentos da máquina, do capital que estariam comprando. Entre outras medidas. (Posso ter entendido mal, e estar distorcendo o q ele disse lá, então sugiro que vc leia vc mesmo, tem na internet, pra baixar, em www.kelsoinstitute.org).

    Tem um vídeo do próprio Mortimer Adler defendendo sua idéia: http://www.hrc.utexas.edu/multimedia/video/2008/wallace/adler_mortimer.html (Se vc clicar em "T" no vídeo, aparece legendas em inglês.)

  1. Olá, Jether,

    Eu não conheço este livro do Adler, só ouvi falar mesmo através de você.

    O link do vídeo que você passou está quebrado - deu "File not found".

    E o que ele fala sobre a concorrência no capitalismo? Como os trabalhadores vão conseguir contornar e vencer a tendência ao monopólio que é intrínseca ao capitalismo? Suas máquinas são suficientes para concorrer?

    E quem fornece o empréstimo sem juros? Teria intervenção do Estado para isso?

  1. Jether says:

    O link do vídeo não está quebrado. O link do livro é que está. Tenta agora: www.kelsoinstitute.org

    "Como os trabalhadores vão conseguir contornar e vencer a tendência ao monopólio que é intrínseca ao capitalismo? Suas máquinas são suficientes para concorrer?"
    Explica essa tendência ao monopólio, por favor. É um plano pras grandes corporações terem mais donos, se entendi bem. Pra expandir por toda a população a propriedade dos meios de produção, que é concentrada hoje. Então não importa muito se uma empresa domina um mercado sozinha, desde que tenha muitos donos.

    "E quem fornece o empréstimo sem juros? Teria intervenção do Estado para isso?"
    Sim, há participação do Poder Legislativo, por exemplo e de bancos federais (nos EUA) e comerciais. Tem um gráfico da p. 44 do "The New Capitalists", outro livro de Adler sobre o mesmo assunto. Tem um livro em espanhol no site tb pra baixar: Democracia Y Poder Económico, que é mais recente, talvez tenham atualizado o plano, mas não li ainda.

  1. Jether,

    Sobre a tendência ao monopólio, vou apontar diretamente para os resultados ao invés de demonstrar o processo, pois isso levaria mais tempo: basta observar o que acontece no capital financeiro e nas indústrias. As grandes corporações compram ou quebram as pequenas, e algumas se fundem com outras para evitar a bancarrota. Vide as redes de supermercados no Brasil, os bancos e as grandes indústrias.

    E se toda a população é dona dos meios de produção, qual a diferença disso para o socialismo?

    A grande questão é: se isso pode ser feito dentro do capitalismo, por que ainda não foi feito? Por que ninguém o fez até hoje?

    Isso está me parecendo um "socialismo light sui generis". Cheira a reformismo.

    Porque o Estado (principalmente o americano) simplesmente não tem dinheiro para financiar meios de produção para toda a população. E os capitalistas nunca irão adiantar seu capital SEM JUROS para criar novos concorrentes para si mesmo.

  1. Jether says:

    A diferença é que o socialismo só diz que vai fazer, mas não faz. Na prática, a maioria não tem posse de meio de produção, é um horror, e acaba com a liberdade. O subtítulo do primeiro livro é "A revolutionary plan for a CAPITALISTIC distribution of wealth-to preserve our free society". O socialismo faz distribuição "laborística" de riqueza, segundo os autores, acabando com a liberdade, se entendi bem.

    Isso não pode ser feito dentro do capitalismo. O que você chama de capitalismo, eles chamam de capitalismo primitivo (nos tempos da Inglaterra descrita por Marx) ou capitalismo misto (nos EUA dos anos 50 e hoje). O que eles chamam de Capitalismo nunca existiu.

    Os capitalistas não "adiantam seu capital". É financiamento de NOVO capital. Pô, dá uma lida, vc não gostou do "How to Read a Book"? Vc não acha que ele escreve bem? :)

  1. Acho que você não chegou a estudar seriamente o modo de organização social da URSS para dizer que "o socialismo só diz que vai fazer".

    Esse tal de "a maioria não tem posse dos meios de produção" é uma tremenda confusão. Já discorremos sobre este assunto e lhe disse na ocasião que você está utilizando categorias burguesas para analisar um modo de produção diferente.

    No socialismo não existe essa de "este meio de produção é meu, e só meu", de forma que todos possam dizer isso, individualmente. Não. O que acontece é que todos os meios de produção são coletivos. O indivíduo não pode fazer o que quiser com os "seus próprios" meios de produção sem dar satisfação a ninguém.

    E sobre a tal da "liberdade", o socialismo acaba com a liberdade de quem? Liberdade de que?

    A liberdade que você defende é essa aqui?

    Ninguém nunca escondeu que o socialismo é a ditadura do proletariado. Ao contrário da burguesia, que chama a sua ditadura econômica de "liberdade", os comunistas são muito francos e abertos quanto a isso.

    E sobre o adiantamento de capital, os capitalistas não "inventam" um "novo" capital do nada para financiar novos concorrentes. É óbvio que o financiamento tem que sair do seu bolso, do seu capital já existente.

    Eu gostei muito do Mortmer, achei suas idéias sobre educação bem progressistas. Até achei que ele fosse politicamente mais avançado. Quando tiver um "gap" vou dar uma olhada neste livro dele. ;)

  1. Jether says:

    Eu não defendo a chamada ditadura burguesa. Nem os livros da dupla Adler e Kelso. Olha uma citação do Kelso: "We should democratize our plutocratic capitalist economy before we preach democracy to others."
    (Louis O. Kelso, 1984)" Olha esta outra: "The Roman arena was technically a level playing field. But on one side were the lions with all the weapons, and on the other the Christians with all the blood. That's not a level playing field. That's a slaughter. And so is putting people into the economy without equipping them with capital, while equipping a tiny handful of people with hundreds and thousands of times more than they can use."
    (Louis O. Kelso, Bill Moyers: A World of Ideas, 1990)"

    Eu acho que sei o suficiente sobre teoria e história do socialismo. Mas vou dar uma olhada nos livros que vc recomenda. Pra mim, basta saber que é uma ditadura. "the kind of capitalism I'm talking about is even more revolutionary than communism. It aims at all the good human results, the dignities of life, the decencies for all men, with one difference -- it wants these things and freedom, too. Whereas the idealistic Communist -- the Utopian Communist -- is looking for the conditions of the good life but can't understand how to get them without sacrificing individual freedom." (Adler, no vídeo)

    "E sobre o adiantamento de capital, os capitalistas não "inventam" um "novo" capital do nada para financiar novos concorrentes. É óbvio que o financiamento tem que sair do seu bolso, do seu capital já existente."
    O financiamento, o dinheiro não sai dos bolsos dos atuais capitalistas. A posse do novo capital pelos novos capitalistas é paga com que é produzido por esse novo capital, não com o salário do trabalhador, nem com a produção do capital antigo. É um empréstimo que será pago no futuro, aos poucos. E, segundo entendi bem, não são concorrentes muitas vezes, são sócios. Esse novo capital pode ser entendido como expansão de uma fábrica, por exemplo, adquirir uma nova grande máquina. Não quer dizer que será aberta uma concorrente. E é do interesse dos capitalistas atuais ampliar o poder aquistivo do resto da população, para que sua produção seja escoada. Eles propõem que esse aumento do poder aquisitivo não seja feito através de redistribuição de renda, como é feito atualmente, pelo menos não prioritariamente, mas através do aumento do número de capitalistas pela população.