Socialismo não é "dividir tudo igual"

Posted: 24.4.12 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Fonte: Blog do Dario

19 comentários:

  1. Caraca Glauber, adorei este post. Tomei a liberdade de confiscar para postar no meu FaceBook e Orkut tá bem? Mas em agradecimento eu vou direcionar a fonte, ok?

    Beijos carinhosos!

    flor de cristal .

  1. Crítico says:

    Um dos argumentos mais falaciosos que já ouvi foi justamente o de asseverar que “o ‘verdadeiro socialismo’ nunca existiu”… Nunca existiu por que? Por que a experiência prática mostrou que ele não deu certo?! Para mim, o único esquerdista que mostrou um pouco de honestidade frente a essa questão foi Slavoj Zizek, quando disse: “Detesto os marxistas que dizem: ‘Stalin traiu o verdadeiro espírito do marxismo’. Não, não se pode permitir que isso seja dito. Se as coisas deram tão terrivelmente errado com Stalin, isso significa que havia uma falha estrutural no próprio edifício de Marx. Não acredito nessa baboseira do tipo ‘a ideia era boa mas infelizmente foi mal realizada’. Aqui eu sou freudiano. O resultado da ideia é como um sintoma, que aponta para algo errado na ideia. “. Na verdade, se formos recorrer à própria fonte do pensamento marxista, ou seja, às obras de seu autor – a começar pelo “Capital” -, veremos que o próprio Marx discerniu o que ele designava como “modo de produção socialista” do “modo de produção comunista” ou “comunismo do futuro”: para Marx, o “modo de produção socialista” seria uma fase de transição entre o capitalismo e o “comunismo do futuro”. Na sua concepção, no socialismo o Estado confiscaria a propriedade privada dos meios (bens) de produção e instituições como o próprio Estado, a família, a divisão de classes, etc., continuariam existindo até se chegar ao “modo de produção comunista”, quando elas acabariam sendo abolidas por não mais se fazerem necessárias. De fato, o cenário descrito por ele foi exatamente o que vimos nos países que adotaram o “modo de produção socialista”; o que nunca vimos foi o cogitado momento posterior, em que elas supostamente desapareceriam. Ao meu ver, o erro central dessa ideia foi acreditar que seria possível reproduzir em sociedades industriais avançadas uma realidade parecida com a que havia nos primórdios da humanidade, quando a vida em sociedade era mais simples – porém mais sacrificada -, com a existência de menos recursos materiais e ciência acumulados, enquanto que os homens se organizavam em pequenos núcleos, que iam de 25 a 200 indivíduos, em média: isso é impossível numa sociedade grande e complexa, como as do mundo moderno!

  1. Eu também sou contra este argumento de que o socialismo nunca existiu. Na verdade Stálin aplicou corretamente a linha leninista dentro das possibilidades conjunturais de sua época. Admiro Stálin na revolução russa como admiro Robespierre na revolução francesa. A grande ruptura com o projeto de construção do socialismo se deu a partir da morte de Stálin, em 1953, com o reformismo de Kruschev e a "desestalinização" da URSS.

    Marx utilizava apenas o termo "comunismo". A distinção que você cita entre socialismo e comunismo foi feita posteriormente por outros marxistas, como Engels, por exemplo.

    E é errado dizer que comunismo científico é uma reprodução do passado. você não entendeu o conceito se pensa assim. Mas vamos conceder, por um breve momento, que fosse isso mesmo. Se o comunismo primitivo não pode ser reeditado em uma sociedade moderna, por que o mesmo não se aplica à opressão de uma classe sobre outra, que também é tão antiga e primitiva? Qual seria o seu critério para dizer que um pode e o outro não? A inexistente "natureza humana" metafísica?

    Não é nenhuma surpresa que o comunismo não tenha sido implantando de uma só vez, de um só golpe, logo na primeira tentativa histórica. O capitalismo tampouco o foi. Isso não é um problema. Faz parte da dinâmica histórica.

  1. Crítico says:

    Glauber disse: "Não é nenhuma surpresa que o comunismo não tenha sido implantando de uma só vez, de um só golpe, logo na primeira tentativa histórica. O capitalismo tampouco o foi. Isso não é um problema. Faz parte da dinâmica histórica".

    Bem, nesse momento você rejeita a realidade dos fatos - o socialismo nunca funcionou - e abraçou a esperança - mas um dia funcionará... Antigamente, chamávamos essa postura de FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO.

    Mas o marxismo, assim como a maçonaria e a crença em discos voadores, não passa de uma religião secular; e, assim como o Espiritismo, é uma religião travestida de "ciência".

    Como costumava dizer o escritor espanhol George Santayanna, "Aquele que esquece a história está condenado a repetir os seus erros...". É por isso que a Venezuela embarcou na canoa furada do "Socialismo do Séc. XXI", que já reproduz os mesmos problemas do seu congênere no Séc. XX: escassez, racionamentos, carestia, etc. Veja aqui: http://spotniks.com/maduro-promete-plano-para-nacionalizar-a-distribuicao-de-alimentos-na-venezuela/

  1. Duas coisas ficam claras: você não sabe o que é marxismo e nem o que é socialismo.

    Você não sabe o que é marxismo por fazer essa comparação tosca com um sistema religioso. Isso é apenas slogan reacionário, bandeira de agitação direitista. E como tudo que vem da direita, não tem profundidade nenhuma.

    Você não sabe o que é socialismo por achar que a Venezuela é um estado socialista. Você é do tipo que pensa: "se eles dizem que são socialista, então são mesmo, não importando a realidade dos fatos."

    Pergunta: Os meios de produção na Venezuela hoje são propriedade social? Resposta: Não. A burguesia continua intacta explorando o proletariado. Na Venezuela tem-se um governo popular, nacionalista, e até o momento isso é tudo. Eles nacionalizaram algumas grandes empresas estratégicas, mas isso é ser tão "socialista" quanto Getúlio Vargas.

    Se o socialismo nunca funcionou, por que você criticou em outro comentário parte da esquerda que nega que afirma justamente isso?

  1. Corrigindo a última frase escrita às pressas: Se o socialismo nunca funcionou, por que você criticou em outro comentário parte da esquerda que afirma justamente isso?

  1. Crítico says:

    "Duas coisas ficam claras: você não sabe o que é marxismo e nem o que é socialismo.

    Você não sabe o que é marxismo por fazer essa comparação tosca com um sistema religioso. Isso é apenas slogan reacionário, bandeira de agitação direitista. E como tudo que vem da direita, não tem profundidade nenhuma."

    Bom, aqui você recorre a duas falácias: a falácia do bulverismo, do egocentrismo ideológico, a da generalização, a da falsa associação e a falácia do "pombo enxadrista" (complexo de superioridade intelectual). Mas não se preocupe: em uma vida lidando com esquerdistas, descobri que grande parte de vocês só sabe argumentar através de falácias. O próprio socialismo é a coisa mais falaciosa que já foi criada!


    "Você não sabe o que é socialismo por achar que a Venezuela é um estado socialista. Você é do tipo que pensa: 'se eles dizem que são socialista, então são mesmo, não importando a realidade dos fatos'."

    Aqui, você recorre à falácia do escocês ou da "expulsão do grupo", tipo: o socialismo funciona; se não funciona, é porque não é socialista!

    A Venezuela é o exemplo de uma forma mitigada de socialismo, não de socialismo puro, ao estilo soviético. Na verdade, é mais uma ditadura de centro-esquerda do que de extrema esquerda, como muitas que já houve na África, na Ásia e no Oriente Médio, a exemplo do regime de Myianmar. É por isso que o próprio regime do país se refere a si próprio como o "socialismo do Séc. XX", que seria diferente, em vários pontos, do seu congênere do Séc. XX, mas está reproduzindo os mesmos resultados - em menor escala, também.

    "Se o socialismo nunca funcionou, por que você criticou em outro comentário parte da esquerda que nega que afirma justamente isso?"

    Eu não critiquei a afirmação de que ele nunca funcionou: isso é a verdade inconteste! Eu critiquei foi a afirmação de que ele nunca existiu: essa, sim, é completamente falsa. Falácia do escocês, novamente!

  1. Crítico says:

    "Bom, aqui você recorre a duas falácias: a falácia do bulverismo, do egocentrismo ideológico, a da generalização, a da falsa associação e a falácia do "pombo enxadrista" (complexo de superioridade intelectual)."

    A propósito: eu iria citar apenas duas falácias, mas acabei citando várias. Aproveito aqui o ensejo para me corrigir!

  1. Fera, se você soubesse o quanto é chato alguém que acabou de descobrir a lógica ficar tentando identificar "falácias" em todo lugar você pararia com isso.

    E o pior é que o iniciante fica vendo falácia onde não existe.

    "A Venezuela é o exemplo de uma forma mitigada de socialismo..."

    Forma "mitigada" de socialismo? Ou se é socialista ou não é. Não existe forma "mitigada". Seria bem diferente dizermos que a Venezuela está em um PROCESSO de socialização. Mas não é possível saber para onde tende o processo lá. O Allende também falava de socialismo por via pacífica no Chile, e o final da história conhecemos.

    Se o socialismo nunca funcionou, por que a URSS se tornou uma potência mundial em apenas 30 anos, melhorando significativamente a vida de seu povo e desenvolvendo a ciência a ponto de levar o homem ao espaço? Como seria isso possível em um período tão curto, levando-se em conta que na virada do século XX o país ainda era semi-feudal, e que neste período passou ainda por uma guerra civil sangrenta e pela segunda guerra mundial, a qual arrasou o país? O que significa "funcionar" pra você?

  1. Crítico says:

    "Qual seria o seu critério para dizer que um pode e o outro não? A inexistente "natureza humana" metafísica?"

    Respondendo a essa sua pergunta, primeiramente, o marxismo comete um profundo erro ao enxergar as sociedades modernas como se elas ainda fossem estamentais, como as sociedades antigas. Ao meu ver, Marx incidiu nesse erro porque durante muitos milênios a sociedade se organizou dessa forma, com uma divisão de classes rígida e um mínimo de mobilidade social. Assim, ele observou as modernas sociedades capitalistas com a mente impregnada pela realidade das sociedades antigas.

    Depois, o motivo para não podermos reproduzir a realidade da sociedade primitiva dentro da moderna era industrial é pela complexidade da realidade em que vive esta última.

    Na época da sociedade primitiva, que Marx enxergava de forma sobejamente idealizada, a vida era mais difícil, com o homem mais sujeito às forças da natureza, que ele ainda não compreendia, nem dominava, mas a realidade também era muito menos complexa! Por exemplo: os agrupamentos primitivos organizavam-se em pequenas comunidades que normalmente possuíam entre 25 e 200 indivíduos. A ciência e a tecnologia eram mais limitados, assim como os recursos econômicos - os frutos da caça, pesca e coleta -, cuja administração não exigia nenhuma logística exacerbada. A formação de um filho exigia bem menos tempo de esforço e dedicação, até porque ele não teria muito o que aprender, e a própria comunidade - muito menor e menos complexa - cumpria os papéis que hoje são divididos entre a família e o Estado, sendo este o motivo porque tais instituições estavam ausentes: elas simplesmente não eram necessárias!

    Com o tempo, na medida em que o ser humano conseguiu produzir maiores excedentes, os agrupamentos humanos cresceram e os clãs deram origem a tribos que depois deram origem a nações. Assim, o modo de vida das comunidades primitivas, que viviam uma realidade sacrificada, porém muito mais simples, tornou-se inviável quando a sociedade cresceu, pois já não era mais apto a organizar o grau de complexidade por elas adquirido.

    Portanto, o que se percebe é que Marx olhou para o mundo moderno com a mente voltada para o passado: olhou para a moderna sociedade industrial enquanto idealizava a vida na sociedade primitiva e olhou para o mundo capitalista enxergando nele as sociedades do mundo antigo, com a sua rígida estrutura de classes sociais. Não por acaso, ele também olhou para as modernas democracias representativas com desprezo, o que o fez lançar os fundamentos ideológicos do Estado totalitário, que nada mais é do que uma reprodução dos métodos dos antigos Estados absolutistas em plena era industrial. É por isso todo marxista incorre num equívoco profundo quando se denomina "progressista" - entendeu?!

  1. Você está atribuindo a Marx uma leitura que ele não fez. Só pode dizer que Marx considera a sociedade capitalista "simplista" quem nunca leu "O Capital". Se você quer falar sobre Marx, leia Marx antes.

  1. Crítico says:

    Meu caro, não é a leitura que Marx faz da sociedade capitalista que é simplista: simplista é acreditar que se poderiam reproduzir em plena era industrial as condições de vida das sociedades primitivas, equivocadamente idealizadas.

  1. Quais seriam essas condições de vida? Encontre nos textos de Marx e compartilhe aqui pra nós.

  1. Crítico says:

    Meu caro, veja um comentário de Engels acerca do que ele define como "comunismo gentílico" entre os índios iorqueses dos EUA:

    "Admirável essa constituição da gens, com toda a sua ingênua simplicidade! Sem soldados, policiais, nobreza, rei, governadores, prefeitos ou juízes, sem cárceres ou processos, tudo caminha com regularidade. Todas as querelas, todos, conflitos são dirimidos pela coletividade a que concernes, pela gens ou pela tribo, ou ainda pelas gens entre si. Só como último recurso - raras vezes empregado - aparece a vingança, da qual a nossa pena de morte é apenas uma forma civilizada, com as vantagens e os inconvenientes da civilização. Apesar de haver muito mais questões em comum do que no presente - a economia doméstica é feita em comum por uma série de famílias e de modo comunista; a terra é propriedade da tribo e os lares só dispõem, e temporariamente, de pequenas hortas - ainda assim, não é necessária nem sequer uma parte mínima da nossa vasta e complicada máquina administrativa. São os próprios interessados que resolvem as questões; e, na maioria dos casos, costumes seculares já tudo regulam. Não pode haver pobres nem necessitados: a família comunista e a gens têm consciência das suas obrigações para com os anciãos, os enfermos e os inválidos de guerra. Todos são iguais e livres, inclusive as mulheres. Ainda não há lugar para escravos e, como regra geral, não se subjugam tribos estrangeiras." (ENGELS, Friederich. A origem do Estado, da família e da propriedade privada. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984)

    Sem querer adentrar no mérito da excessiva idealização do modo de vida nas sociedades primitivas, o que delongaria sobejamente o nosso diálogo, o que eu ressalto é a inviabilidade de se reproduzi-lo em plena era industrial, onde a vida é muito mais complexa, com ciência, tecnologia e excedentes econômicos: tal modo de vida SOMENTE seria viável dentro de uma realidade extremamente simples e com recursos BEM MAIS limitados, onde o homem ainda se encontraria muito mais à mercê das forças da natureza... Capiche?!

  1. Fera, responda o que eu te perguntei. Quero que você me diga ONDE nas obras de Marx está escrito que o comunismo é uma reedição do comunismo primitivo. Você citou apenas um trecho de Engels falando sobre comunidades primitivas, e não daquele comunismo proposto como superação do capitalismo. É isso que estou querendo que você coloque aqui porque eu sei que é isso que você não entendeu.

  1. Crítico says:

    Na teoria marxista, que você deveria ter estudado corretamente para poder defender, o chamado "comunismo do futuro" é descrito como um renascimento, a um nível "mais alto", do comunismo do passado, o qual é retratado com certo grau de nostalgia. Não por acaso, F. Engels conclui seu livro sobre as origens do Estado com uma frase tirada do antropólogo Lewis Morgan que resume todo o pensamento tanto dele quanto de K. Marx, prevendo que o tal "comunismo do futuro" seria "uma revivesvência da liberdade, igualdade e fraternidade das antigas gens, mas sob uma 'forma superior'" (Op. cit. Pag. 143). O próprio Marx descreveu esse suposto "modo de produção" como um "retorno do homem a si mesmo como ser social, ou melhor, verdadeiramente humano, retorno esse integral, consciente, que assimila toda a riqueza do desenvolvimento anterior." (MARX, Karl. Os Manuscritos Econômico-filosóficos. São Paulo: Editora Martin Claret, 2002, pág. 138).

    Portanto, é assim nítido o sentimento de idealização das sociedades primitivas, seguido de uma nostalgia por uma vida paradisíaca que nunca correspondeu ao que eles descrevem. Ademais, a impossibilidade de se reproduzir esse estilo de vida nos tempos modernos, mesmo que ele correspondesse ao que a teoria marxista descreve, deve-se não apenas à maior complexidade decorrente do acúmulo de ciência, tecnologia e excedentes econômicos, mas também ao contingente populacional sobejamente maior das sociedades modernas, impedindo uma "vida em comunidade" em que todos os cidadãos desfrutem de um tal vínculo de intimidade como aquele que tinham os nossos ancestrais primitivos, quando família, Estado e comunidade confundiam-se num único ente. Capiche agora?!

  1. "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa." (Karl Marx, 18 Brumário de Napoleão Bonaparte)

    A citação acima é para te ensinar o que Marx e Engels pensam quanto a "repetir" a história.

    Tendo isso em vista, o trecho que você citou não passa de um tiro no seu próprio pé.

    Vejamos:

    "...uma revivesvência da liberdade, igualdade e fraternidade das antigas gens, mas sob uma 'forma superior'."

    Preste atenção no "forma superior". Sabe o que significa isso? Não. Então vou te ensinar.

    Como você não é e nunca foi marxista, e portanto não se deu ao trabalho de estudar a dialética hegeliana, vou te remeter a um conceito importantíssimo utilizado por Marx (mas nunca articulado explicitamente em suas obras), chamado no alemão de Aufhebung.

    Este termo, para o qual não há tradução adequada em português (traduz-se como "suprassunção"), engloba três momentos distintos da dialética: a negação, a manutenção e a superação.

    Na "Fenomelogia do Espírito," a marcha histórica da consciência, ao assumir uma nova figura da consciência, traz em si também a figura anterior, a partir da qual a nova figura emerge.

    É por isso que a marcha histórica é um acúmulo, e a própria Aufhebung ou suprassunção do capitalismo não pode simplesmente destruir todo o sistema e construir um mundo novo, assim como o capitalismo não destruiu completamente o sistema feudal.

    A marcha histórica traz em si elementos do seu passado, mas nunca é um retorno.

    E Marx e Engels não "idealizaram" as sociedades primitivas. Isso resta claro diante de uma leitura atenta de sua obra. As citações descontextualizadas que você tem trazido apenas servem a seu interesse de fazer o marxismo caber dentro de sua interpretação confusa.

  1. Crítico says:

    "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa." (Karl Marx, 18 Brumário de Napoleão Bonaparte)

    Meu caro totalitário, aqui, eu sou forçado a concordar com você e o seu deus-Marx: o comunismo primitivo foi uma tragédia, já a sua versão moderna - a China, a ex-Iugoslávia, ex-U.R.S.S. e os seus respectivos satélites - foi a farsa de uma utopia que NUNCA existiu - a nossa realidade humana nunca foi utópica!

    O que tento lhe explicar - mas você, como fundamentalista religioso, jamais aceitará - é que É IMPOSSÍVEL reproduzir aquela realidade das sociedades primitivas (ausência de Estado, família, divisão do trabalho, etc.) numa sociedade industrial amadurecida. Tanto que o próprio Marx se derrama em promessas, mas sequer se dá ao trabalho de explicar como elas seriam cumpridas, deixando trabalho extra para o seu discípulo Lênin - daí a expressão "marxismo-leninismo".

    Quanto à sua interpretação da dialética, a ordem correta seria "a manutenção, a negação e a superação". Contudo, eu acho que faltou você fazer uma estremação mais acurada entre a dialética hegeliana, fulcrada na ambiguidade, e a dialética marxista ou marxiana, fulcrada na contradição - mas essa já seria uma outra discussão, e eu não quero me delongar demais.

    Abraços!

  1. "...é que É IMPOSSÍVEL reproduzir aquela realidade das sociedades primitivas"

    De novo essa história de "reproduzir"? Parece que você QUER, que você PRECISA acreditar que Marx disse o que você lhe atribui. Assim não há discussão que avance. É um eterno retorno.

    "...sequer se dá ao trabalho de explicar como elas seriam cumpridas.."

    Exatamente. A coruja de minerva só levanta vôo ao entardecer. Você não compreendeu o básico do marxismo ao pensar que Marx fundaria uma nova sociedade da própria cabeça. Você nem mesmo tomou nota da polêmica de Marx com os socialistas que tentavam fazer isso.

    Já reparou que a maior obra de Marx não é sobre o socialismo, mas sim uma análise profunda do capitalismo? Tem alguma ideia da razão disso, Arnaldo Jabour?

    "Quanto à sua interpretação da dialética, a ordem correta seria "a manutenção, a negação e a superação".

    Eu sei qual a ordem da Aufhebung. Marx não fez essa distinção entre a dialética hegeliana e a "dele". Ele pensava apenas que Hegel apresentou a dialética de forma obsucura, mas não critica seu método.