A revolução sexual, de Wilhelm Reich – Marxismo e Psicanálise

Posted: 31.5.13 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Reproduzo abaixo alguns dos trechos do livro A revolução sexual, de Wilhelm Reich, que me pareceram mais significativos em alguns dos temas que vou destacar a seguir. 

Mas antes vale ressaltar que um dos aspectos mais interessantes de Reich, que era marxista e freudiano no período em que a primeira edição deste livro foi lançada, é o diálogo que ele media entre essas duas correntes, fazendo com que uma complemente e integre a outra quando fora de seus domínios. 

Este fecundo diálogo impede tanto que questões políticas descambem no mero psicologismo, por um lado, quanto que questões de sexualidade caiam num reducionismo materialista-vulgar mecanicista (não-marxista), pelo outro. 

Assim, ao abordar a questão da liberdade sexual, por exemplo, veremos que ele se mostra plenamente consciente de que não adianta falar sobre este tipo de liberdade dissociada da libertação econômica geral da sociedade sob o jugo capitalista. Isso é, a liberdade sexual está ligada à libertação econômica. 

E na esteira de Engels, Reich ataca a família e a monogamia, mas mostrando de maneira então inédita – ou seja, através da prática da psicanálise – que a monogamia vitalícia é algo não só irrealizável, mas que pode também se mostrar altamente perniciosa para a saúde psíquica. 

Economia sexual 


“Acusam a economia sexual de querer destruir a família. Falam do "caos sexual" que a vida com amor livre acarretaria, e as massas dão ouvidos às palavras dessas pessoas e confiam nelas porque usam casaca e óculos de aro dourado, podendo assim falar como líderes. A pessoa deve saber sobre o que está falando. A escravização econômica das mulheres e crianças deve ser eliminada. A escravização autoritária da mesma forma. Somente quando isso se tornar realidade, o marido amará a mulher, os filhos os pais e os pais os filhos. Não terão mais motivo para se odiarem mutuamente. 

“O que queremos destruir, portanto, é o ódio gerado pela família e pela violentação "apaixonada". Se o amor familiar é o grande bem humano, ele tem que afirmar-se. Se um cachorro amarrado não foge, ninguém por isso o considerará um companheiro fiel. Ninguém, em seu juízo perfeito, falará de amor quando um homem possui uma mulher de pés e mãos amarradas e indefesa. Nenhum homem decente ficará orgulhoso com o amor de uma mulher que ele compra com alimentação ou influência de poder. Nenhum homem correto tomará um amor que não for dado voluntariamente. A moral forçada do dever conjugal e da autoridade familiar é uma moral de covardes dementes da vida e de impotentes incapazes de conseguir pela força natural do amor aquilo que pretendem conseguir por intermédio da polícia e do direito conjugal. 

“Querem enfiar toda a humanidade na sua própria camisa-de-força por serem incapazes de tolerar nos outros a sexualidade natural. Isso os aborrece e os enche de inveja, porque eles próprios gostariam de viver assim e não conseguem. Nós não queremos forçar ninguém a abandonar a vida familiar, mas também não queremos permitir a ninguém que obrigue aquele que não a quer a aceitá-la. Quem pode e quer passar toda a vida como monógamo, que o faça; quem, entretanto, não o pode e talvez se arruíne por causa disso, deve ter a possibilidade de organizar a sua vida de outra forma. No entanto, a organização de uma "nova vida" pressupõe o conhecimento das contradições da antiga.” 

O fracasso da reforma sexual 


“As lutas em prol da reforma sexual fazem parte da luta geral político-cultural. O liberal, como por exemplo Norman Haire, com a sua reforma sexual, combate apenas uma deficiência da sociedade, sem pretender tocar nela mesma. O socialista pacífico, o "reformista", pretende com isso implantar um pouco de socialismo na sociedade existente. Tenta inverter o processo de desenvolvimento fazendo que a reforma sexual ocorra antes que se verifique a modificação da estrutura econômica.” 

A moral sexual conservadora 


“Em conclusão apresentamos dois casos típicos do consultório sexual, que deverão demonstrar que a consciência médica é forçada a providências que se encontram em contraste diametral oposto, não somente com a moral conservadora, mas também com a reforma sexual na modalidade descrita. 

“Uma moça de 16 anos e um rapaz de 17, ambos fortes e bem desenvolvidos, entram tímidos e temerosos no consultório. Depois de muito encorajamento, o rapaz pergunta receosamente se é realmente prejudicial ter relações sexuais antes dos 20 anos. 

— Por que você acha que isso possa ser prejudicial? 
— Foi o que o chefe de grupo dos Falcões Vermelhos nos disse e é o que dizem todos entre nós  que falam sobre a questão sexual. 
— Nos Falcões Vermelhos vocês falam dessas coisas? 
— Claro, mas todos nós sofremos muito ninguém tem a coragem de falar francamente. Agora um grupo de moças e rapazes saiu do nosso grupo e formou um grupo separado, porque não se dão com o nosso chefe de grupo. Este também sempre diz que as relações sexuais fazem mal. 
— Há quanto tempo vocês se conhecem? 
— Há três anos! 
— Vocês já tiveram relações sexuais 
— Não, mas gostamos muito um do outro e temos que nos separar porque sempre ficamos extremamente excitados. 
— Como assim? 

(Silêncio prolongado)

— Bem, nós nos beijamos e fazemos outras coisas. A maioria o faz. Mas agora estamos ficando quase malucos. O pior é que, pelas nossas funções, sempre temos que trabalhar juntos. Ela nos últimos tempos tem freqüentemente crises de choro e eu já não acompanho mais as aulas na escola. 
— Que é que vocês mesmos acham que seria o melhor? 
— Queremos separar-nos, mas não é possível; todo o grupo, cujos líderes nós somos, se  desintegraria, e depois a mesma coisa se repetiria com outro com toda a certeza. 
— Vocês praticam esportes? 
— Sim, mas não adianta nada. Quando estamos juntos, não podemos pensar em nada a não ser numa só coisa. Por favor, diga-nos se isso faz mal mesmo. 
— Não, não faz mal, mas freqüentemente cria grandes complicações na casa dos pais. 

“Expliquei-lhes a seguir a fisiologia da puberdade e das relações sexuais, os obstáculos sociais, os perigos da gravidez e o uso de anticoncepcionais. Despedi-os com o conselho de pensar no assunto e de voltarem à consulta. 

“Duas semanas mais tarde os vi de novo, alegres, agradecidos, contentes com o trabalho. 

“Haviam superado todas as dificuldades internas e externas. Acompanhei o caso por mais alguns meses e obtive a certeza de ter evitado que dois jovens caíssem doentes. A alegria ficou empanada apenas pelo conhecimento de que tais sucessos do simples aconselhamento, por causa das fixações neuróticas da maioria dos consulentes juvenis, são exceções raras. 

“Como segundo exemplo apresentamos uma mulher de 35 anos, de aparência ainda jovem, que procurou o consultório sexual com o seguinte problema: Era casada há 18 anos, tinha um filho crescido e vivia com o marido em matrimônio exteriormente feliz. Há três anos o marido tinha relações com outra mulher. A consulente sabia e tolerava com a boa compreensão de que, depois de um casamento tão prolongado, aparecem desejos por outra pessoa. Até então havia permanecido fiel, apesar de que o marido já há dois anos deixara de ter relações com ela. Há alguns meses vinha sofrendo em virtude da abstinência sexual, mas era orgulhosa demais para induzir o marido a ter relações com ela. Nos últimos tempos se verificaram distúrbios cardíacos, insônia, irritabilidade e depressão, cada vez mais freqüentes e intensivos. Por considerações morais, não conseguiu resolver-se a ter relações sexuais com um homem que conhecera há, algum tempo, se bem que ela mesma reconhecesse a falta de sentido desses escrúpulos. O marido sempre se vangloriara da fidelidade da esposa e, ela sabia muito bem que ele não estaria disposto a lhe conceder o direito que ele mesmo passara a usufruir com a maior naturalidade. Ela perguntava o que deveria fazer, pois já não suportava mais a situação. 

“Pensamos cuidadosamente no caso. O prolongamento da abstinência social significaria doença neurótica certa. Perturbar o marido na sua nova ligação e reconquistá-lo estava fora de cogitação por dois motivos. Primeiro, porque ele não se deixaria perturbar e já confessara claramente que não tinha mais interesse sexual por ela; segundo, porque ela mesma não mais queria o marido. Restava apenas a solução de ter relações sexuais com o homem a quem amava agora. A coisa, no entanto, tinha um porém: ela não era economicamente independente, e o marido, quando soubesse do caso, exigiria divórcio imediatamente. Expliquei à mulher todas essas possibilidades, deixei-a em liberdade para a decisão e, depois de algumas semanas, eu soube, que ela havia resolvido manter relações sexuais com o amigo sem que o marido soubesse. Seus distúrbios neuróticos desapareceram pouco depois. 

“Ela havia criado coragem para tomar essa resolução em virtude de meus esforços para dissipar os seus escrúpulos morais. De acordo com a lei, eu me tornarei culpado de um crime; possibilitei a uma mulher que se encontrava à beira de uma doença neurótica a satisfação sexual fora do casamento, praticando assim a infidelidade conjugal.” 

O problema da puberdade 


“Quem conscientemente quiser matar a sua sexualidade, que o faça. Não queremos obrigar ninguém à vida sexual satisfatória, mas devemos dizer: quem quiser viver em abstinência, com o risco de uma doença mental ou uma diminuição da alegria de viver e de trabalhar, que o faça. Quem não o quiser, que trate de chegar a uma vida sexual regrada, satisfatória, assim que o impulso sexual não possa mais deixar de ser atendido. No entanto, é nossa obrigação salientar a atrofia da sexualidade, seu retrocesso para atividades infantis e perversas e o distúrbio mental como conseqüência do modo da abstinência sexual do adolescente. Pois são os mais trágicos os pacientes de 35, 40 e até 50 e 60 anos que vêm ao nosso consultório, com as mais graves perturbações de sua economia mental, neuróticos, irritadiços, solitários e cansados de viver, em busca de conselho e ajuda. Em sua maior parte se vangloriam de não terem vivido "intensamente", o que querem dizer que evitaram o onanismo e as relações sexuais precoces. 

O onanismo 


“O onanismo pode mitigar os malefícios da abstinência só até certo limite. Só pode regularizar a economia sexual se ela ocorre sem sentimentos de culpa ou grandes perturbações no processo da excitação, e só se a falta de um parceiro real não for sentida intensamente. Poderá ajudar os jovens sadios a amainar as primeiras tormentas da puberdade. Dadas as condições que influenciaram o desenvolvimento sexual do adolescente desde a infância, desempenha essas funções apenas na minoria dos casos. Somente minoria ínfima dos jovens se libertara das influências morais da educação recebida a ponto de recorrer sem escrúpulos à satisfação onanística. Na maioria dos casos, os jovens lutam contra a compulsão do onanismo com maior ou menor sucesso. Se não conseguem abolir a atividade onanística, masturbam-se sob as inibições mais severas, com as práticas mais prejudiciais, por exemplo refreando ejeção do esperma. Assim se encaminham seguramente pelo menos para uma perturbação neurastênica. Se vencem na luta, recaem novamente naquela abstinência, da qual se salvaram pelo onanismo; mas dessa vez a situação se tornou muito mais desfavorável, porque as fantasias entrementes ativadas e a excitação sexual despertada tornam a  abstinência ainda mais insuportável do que antes. Apenas alguns encontram a melhor solução sexual-economicamente, a das relações sexuais.” 

Casamento compulsório e relação sexual 


“Todo mundo está exposto constantemente a excitações sexuais novas provocadas por outras pessoas que não o parceiro, especialmente com a coletivização do trabalho de hoje. Essas excitações de fora permanecem inócuas no período alto da relação. Nunca, porém, podem ser eliminadas, e nenhuma regulamentação quanto às roupas que devem ser usadas na igreja, ou qualquer medida ascética social, conseguirá em tempo algum qualquer coisa diversa a não ser o incremento da excitação, porque a tentativa de reprimir a exigência sexual resulta sempre no aumento dela. A não-consideração desse fato fundamental é que constitui a tragédia, ou mesmo tragicomédia, de toda moral sexual orientada asceticamente. As novas excitações sexuais, contra as quais só existe uma defesa eficiente, que é a inibição sexual neurótica, libertam pois, em cada pessoa sexualmente intacta, mais ou menos conscientemente (ou antes: tanto mais sadios quanto conscientes) desejos sexuais por outros objetos. Pela relação sexual satisfatória existente, esses desejos inicialmente permanecem sem efeito especial e podem ser reprimidos tanto mais eficientemente quanto mais conscientes forem. Está claro que, quanto menos consideração de caráter moral, quanto mais  depreciação sexual-econômica ou condenação participa dessa repressão, tanto mais inocente ela será. 

“Quando, entretanto, se avolumam esses desejos por outros objetos, eles retroagem sobre a relação sexual para com o parceiro, acelerando principalmente o embotamento. As características seguras desse embotamento são: a diminuição do impulso sexual, antes do ato, e do prazer, no ato. As relações sexuais paulatinamente se tornam um hábito ou obrigação. A diminuição da satisfação com o parceiro e o desejo de outros objetos se somam e se fortalecem mutuamente. Contra isso não adianta nenhuma determinação, nenhuma técnica amorosa. Agora começa então o estágio crítico da irritação contra o parceiro, que, de acordo com o temperamento ou educação, chega a se manifestar ou é reprimido. Em todo caso: o ódio inconsciente contra o parceiro, como revelam análises de tais condições insofismavelmente, torna-se cada vez mais forte; seu motivo é a frustração da satisfação dos desejos por outros, por parte do parceiro; sim, o fato de que o ódio inconsciente poderá tornar-se tanto mais forte quanto mais amável e tolerante for o parceiro é apenas aparentemente um paradoxo. 

“Não se tem então nenhum motivo para odiar pessoalmente o parceiro, mas a pessoa sente isso, ou, melhor, o próprio amor ao parceiro passa a ser um empecilho. O ódio fica assim amortecido por um carinho extremo. Esse carinho originado do ódio e os sentimentos de culpa que proliferam em tal estágio são os componentes específicos da ligação pegajosa na relação permanente e o próprio motivo pelo qual tão freqüentemente mesmo os não-casados não se podem separar, mesmo que nada mais tenham que dizer ou muito menos que dar um ao outro, e sua relação signifique apenas um martírio mútuo. 

“Mas esse embotamento não precisa ser definitivo. De uma circunstância passageira pode-se tornar facilmente definitivo quando os parceiros sexuais não tomam conhecimento dos seus impulsos mútuos de ódio e recusam seus desejos por outros objetos como indecentes e imorais. A isso geralmente se segue uma repressão das excitações com todo o mal e prejuízo para a relação entre duas pessoas que justamente costumam resultar da repressão de impulsos poderosos. Quando a pessoa pode enfrentar tais fatos desinibidamente, sem distorção moral-sexual, o conflito se apresenta mais suave, e encontrar-se-á uma saída. É pressuposição que o ciúme normal que se sente não se torne expressão de uma reivindicação de posse, que se reconheça a naturalidade e axiomatismo do desejo por outros. A ninguém ocorrerá criticar alguém porque não gosta de usar o mesmo traje ano após ano, ou que porque está enjoado de comer sempre o mesmo prato. Somente no campo sexual a exclusividade de posse tornou-se um valor sentimental forte, porque o entrelaçamento dos interesses econômicos e das relações sexuais aumentou o ciúme da reivindicação de posse natural. Muitas pessoas maduras e comedidas me comunicaram que, depois da superação do conflito, a imaginação de que o parceiro sexual uma ou outra vez tenha entrado em relação com outros perdeu seu terror e de que mais tarde a impossibilidade anterior de imaginar uma "infidelidade" parecia ridícula. 

“Incontáveis exemplos ensinam que fidelidade por consciência, com o tempo, prejudica a relação sexual. A isso se contrapõem muitos exemplos dos quais aparece claramente que uma relação fortuita com outro parceiro apenas foi útil à relação sexual que estava justamente em via de se tornar uma relação matrimonial. Na relação permanente, sem ligação econômica, existem duas possibilidades: Ou a relação com o terceiro foi somente passageira; isso prova que não podia concorrer com a permanente; nesse caso, a relação apenas se fortaleceu; a mulher perdeu a impressão de estar inibida ou de ser incapaz de relações com outro homem. Ou a relação para com o outro parceiro se torna mais intensiva do que a existente, mais prazerosa e de outra forma mais satisfatória; então, a primeira é desfeita. 

“O que acontece então com o parceiro cuja relação amorosa ainda não estava deteriorada? Sem dúvida terá que travar uma luta difícil, em primeiro lugar consigo mesmo. Ciúme e sentimento de inferioridade sexual lutarão com a compreensão do destino do seu parceiro. Talvez que fique empenhado em reconquistar seu parceiro, o que terminará com o automatismo da relação duradoura, destruindo a segurança de posse; talvez que preferirá também permanecer passivamente na expectativa, deixando a decisão para o decorrer dos acontecimentos. Não damos conselhos, mas apenas aventamos hipóteses de possibilidades que correspondem a fatos reais. Em todo caso, a dificuldade é menor do que a desgraça que se verifica quando duas pessoas estão grudadas uma à outra por considerações morais ou outras. A consideração, que tantos indivíduos em tais casos costumam ter para com o parceiro, ao reprimir constantemente seus desejos, sem poder eliminá-los, muitas vezes se transforma no contrário. Quem teve consideração demais facilmente se sente no direito de obrigar o outro a agradecimento por isso, considerar-se vítima, ficar intolerante, atitudes  essas que fazem perigar a relação muito mais e certamente a tornam mais feia do que qualquer "infidelidade" o poderia ter feito. Não queremos, porém, iludir-nos de que tal consideração para com as necessidades do parceiro, sob as condições da estrutura humana e ideologia sexual de hoje, seja possível em grande proporção.” 

O ascetismo e a monogamia duradoura são irrealizáveis 


“Relações sexuais permanentes, que não se tornam matrimoniais, em geral não duram a vida toda. Quanto mais cedo tais relações são iniciadas, tanto maior é a probabilidade e, como se pode demonstrar, a justificação psicológica e biológica de que se rompam mais depressa do que as iniciadas mais tarde. Até aproximadamente a idade de 30 anos, o homem se encontra, quando não é esmagado pela sua situação econômica, cm contínuo desenvolvimento psíquico. Somente nessa época, costumam em média fortalecer-se os interesses, tornando-se duradouros. A ideologia do ascetismo e da monogamia duradoura, portanto, se encontra em contradição crassa ao processo de desenvolvimento físico e psíquico. Praticamente, é irrealizável. Isso leva à contradição de qualquer ideologia matrimonial.” 

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