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Carta Aberta a William Waack

Posted: 20.10.09 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Não utilizamos aqui qualquer pronome ou outro tratamento à sua pessoa, por você mesmo se desqualificar através de seus conhecidos e ingentes esforços como traidor da pátria.

Nós, do MVC — Movimento pela Vergonha na Cara, tivemos o desprazer de acompanhar hoje, 16/10/09, sua declaração ao programa Entre Aspas da Globo News de que a reserva petrolífera do pré-sal não terá relevância alguma ao futuro do país, em razão do desenvolvimento de energias alternativas.

Fosse você um completo desinformado, incapaz de deduzir as milhares de aplicações dos derivados do petróleo, poderíamos compreender a ignorância contida nessa afirmação e procurar esclarecê-lo, fornecendo-lhe informações elementares a respeito do assunto. Mas é evidente que a bobagem proferida não reflete ignorância ou imbecilidade. Muito pior, reflete mórbida falta de caráter que se faz persistente, denotando-lhe como um dos mais esforçados porta-vozes da UGP — União dos Gigolôs da Pátria.

Sabemos que você não é um idiota de graça. Sabemos que ganha para desinformar o povo brasileiro em benefício do maior crime lesa-pátria já intentado em nossa história com a não consumada privatização da Petrobras, quando já se evidenciavam os indícios de uma das maiores bacias terrestres da matéria prima. Sabemos que, como cúmplice daqueles gigolôs, você é um dos que sobrevive através de mentiras desenvolvidas para enganar ao povo brasileiro e incentivar a prostituição do país aos interesses internacionais.

Esta carta para desmascarar suas intenções será distribuída pela internet através da rede de correspondentes que integra o Movimento pela Vergonha na Cara e, certos de que chegará até você através daqueles a quem tenta enganar, esclarecemos que nosso objetivo é erradicar o malefício que você, seus colegas, seus patrões, e os políticos a que vocês apóiam e promovem, representam para o Brasil e o povo brasileiro.

Esteja certo de que voltaremos a apontar suas farsas a cada vez que você usar de espaços públicos de comunicação, sejam concedidos ou assinados, para mentir aos brasileiros se passando por idiota, imbecil ou ignorante.

Sempre que para desqualificar os esforços do maior patrimônio empresarial do povo brasileiro, a Petrobras, você se mentir como incapaz de imaginar que mesmo depois de que todos os biocombustíveis e fontes alternativas de energia substituírem a gasolina ou o diesel, a ampla diversidade de empregos e aplicações do petróleo continuará tornando a exploração do pré-sal um dos mais significativos empreendimentos mundiais; desmascararemos abertamente sua farsa.

Destacaremos que você mesmo entrevistou, com abjeta subserviência, um general do Departamento de Defesa dos Estados Unidos especialmente enviado ao Brasil para negociar a participação daquele país na exploração do pré-sal, como você mesmo anunciou em notável demonstração da canalhice contida em sua personalidade que com tamanha empáfia, hoje, declara nossa reserva do pré-sal como inócua.

Se faz de imbecil, mas tem plena ciência de que se o pré-sal fosse tão insignificante quanto afirmou para sua colega (em caráter inclusive) Monica Waldvogel no Entre Aspas, aquele seu entrevistado não seria enviado pelo governo norte-americano ao Brasil e nem teria se servido, há poucas semanas atrás, de seu servilismo no lamentável noticiário que você apresenta.

Não nos interessa quem lhe paga para ser capacho dos interesses externos e prepotentemente contrário aos interesses do futuro do povo brasileiro, mas nos esforçaremos para tornar pública sua função de gigolô da pátria, alertando a todos que queiram recuperar a dignidade e a vergonha na cara, até que um dia possamos erradicar os farsantes que como você trabalham para corromper o futuro de nossos filhos e do nosso país.

Por enquanto, continuaremos colhendo informações sobre sua longa experiência como sabujo dos interesses do capital estrangeiro, a serem usadas sempre que tornar a expor suas mentiras e enganações de gigolô.

MVC - MOVIMENTO PELA VERGONHA NA CARA

A "natureza humana" para a burguesia

Posted: 19.10.09 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
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O capitalismo é um sistema baseado na exploração e no lucro. A chamada "globalização", que não é mais do que um eufemismo para a fase imperialista deste sistema, polarizou a miséria no mundo inteiro, evitando que os efeitos nefastos deste modo de produção sejam sentidos em toda sua força dentro das fronteiras nacionais dos países mais ricos.

Não obstante, a burguesia, para justificar este mundo no qual ela domina e apresentá-lo como o melhor possível, recorre a toda forma de artifícios ideológicos. Um deles é apelar para a "natureza humana", para mostrar como este sistema é "natural".

Para justificar a competição e a falta de ética nas relações sociais e humanas, ela aponta o reino animal e nos lembra que somos isso: animais. Apenas os mais aptos sobrevivem. Inspirada no darwinismo, ela nos lembra pelo Discovery Channel e pelo Globo Repórter que aquilo que acontece nas savanas - leões caçando zebras e tantos outros animais engolindo outros - é o que acontece no mercado e em nossas relações sociais.

Mas há uma grande contradição nisso tudo. Ao mesmo tempo em que ela apela ao que há de mais baixo, de mais animal na natureza humana para justificar o capitalismo, é justamente o que há de mais nobre no homem que permite que esse sistema se mantenha. É justamente a capacidade de frear as pulsões humanas de destruir, roubar e matar o que permite que a burguesia perpetue o sistema de propriedade privada.

Um estado de completa selvageria social só é evitado porque o homem é um animal superior, é o único ser capaz de dizer "não" aos seus impulsos, segundo o filósofo Max Scheler em sua obra "A posição do homem no cosmos". Scheler nesta obra também recorre a Freud e nos lembra que o homem é o único ser capaz de sublimar suas pulsões, isso é, transformá-las ou canalizá-las para as mais altas construções culturais.

Essa é a posição contraditória da ideologia burguesa: ao mesmo tempo em que a competição, a falta de ética e a eliminação dos "menos aptos" é justificada pelo que há de mais animal no homem, a atual organização social baseada na propriedade privada dos meios de produção só pode ser sustentada apelando para o lado mais nobre e superior do homem, por sua capacidade em obedecer a normas éticas em detrimento de determinações biológicas.

A revolução não será televisionada

Posted: 13.10.09 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Os leitores brasileiros cujas principais fontes de informação são veículos como a Rede Globo, os jornalões "Folha", "O Estado de São Paulo" e o panfleto Veja, só para citar alguns, nutrem em sua maioria uma grande antipatia pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

Mas graças ao surgimento de canais alternativos de informação podemos ter acesso ao "lado B" das notícias que os supracitados veículos publicam. E mais ainda, podemos também complementar as notícias que eles dão pela metade.

Sendo esse "enviesamento" da mídia burguesa um fenômeno geral, não restrito apenas ao Brasil, um grupo de produtores irlandeses, desconfiando que a mídia local venezuelana não estava transmitindo a real situação do país, se deslocou para a Venezuela em 2002, a fim de compreender o que estava acontecendo ali. A intenção era fazer um documentário sobre o presidente Chávez.

Mas percebendo a agitação política do momento, os cineastas Kim Bartley e Donnacha O'Briain mudaram o foco e acabaram registrando o golpe de Estado da burguesia local que depôs naquele ano o presidente democraticamente eleito, Hugo Chávez.

O resultado deste trabalho é o documentário chamado "A revolução não será televisionada", que mostra os bastidores do golpe antes, durante e depois. A obra recebeu doze importantes prêmios internacionais e foi nomeada para outros quatro.

Aproveitando o ensejo, indico também um outro documentário que mostra como há um despertar de consciência de classe entre o povo venezuelano, jogando por terra o engodo imperialista de que existe uma ditadura na Venezuela: é o documentário "No volverán! - The Venezuelan Revolution Now", filmado por um grupo de estrangeiros que visitou os bairros pobres do país, entrevistando trabalhadores em suas fábricas e acompanhando de perto o que a mídia burguesa se recusa a mostrar.

Sites oficiais:


Quando pobres defendem interesses de ricos

Posted: 1.10.09 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
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Quando vemos pobres defendendo interesses de ricos, identificamos aí a atuação do que Marx chama de ideologia. A burguesia, para manter o mundo em que domina da forma como está, apresenta os seus próprios interesses como sendo interesses gerais, de toda a sociedade. E muita gente pobre, mas principalmente a classe média, não sofrendo com a miséria e aspirando ao modo de vida burguês, compra esse discurso e o repete na forma de uma sabedoria de papagaio. Marx e Engels expressam o primeiro ponto da seguinte forma:

"... cada nova classe que ocupa o lugar da que dominava anteriormente vê-se obrigada, para atingir seus fins, a apresentar seus interesses como sendo o interesse comum de todos os membros da sociedade; ou seja, para expressar isso em termos ideais; é obrigada a dar às suas idéias a forma de universalidade, a apresentá-las como as únicas racionais e universalmente legítimas." (MARX, ENGELS, 2005, p. 53)

Mas como não poderia deixar de ser, essa superficialidade da sabedoria de papagaio nunca resiste a alguns pedidos de explicação.

Cito um exemplo. Alguns desses papagaios, quando questionados sobre alguns problemas sociais graves, tais como a fome e a dificuldade que milhões de pais trabalhadores enfrentam para colocar comida na mesa para os filhos, respondem da seguinte forma: "Se não podem ter filhos, que não tenham. Eles deveriam fazer planejamento familiar."

Vejam que incrível! Ao invés de apontar as causas do problema social da desigualdade, dos baixos salários, etc, o problema é transferido para o trabalhador que não faz "planejamento familiar". Para o burguês e seus lacaios, essa lógica é muito simples: se você não tem dinheiro para ter filhos, não os tenha.

E querem falar de "planejamento familiar" para pessoas que, muitas das vezes, não sabem nem ler. Indivíduos que não podem pensar no futuro porque estão ocupados demais pensando no que vão comer na próxima refeição.

Se o problema é "pessoas com fome", a burguesia vê duas soluções: ou você elimina a fome, ou elimina as pessoas...

Um outro exemplo de brilhantismo ao analisar problemas sociais é a forma como o panfleto Veja, instrumento burguês, demoniza setores excluídos e movimentos sociais. Há algum tempo ela veiculou uma matéria fascista sobre moradores de ruas ("Profissionais da esmola", edição 2.126), os quais, em resposta, organizaram uma manifestação e queimaram exemplares do panfleto na Praça da Sé, no centro de São Paulo. Em uma "reporcagem" mais recente ("Por dentro do cofre do MST", edição 2128), novamente ela deu chifres, rabo e tridente a um movimento social: o MST.

Para a classe dominante e seus veículos de propaganda ideológica, simplesmente evita-se pensar em problemas como dos exemplos anteriores como sendo oriundos de uma complexa teia de relações causais que afluem de todos os lados para sua formação.

Pelo fato de a burguesia apresentar o mundo em que domina como o melhor dos mundos, a classe média, aspirante a esse estrato social superior, não vê nada de errado na forma como a sociedade está organizada. Se crianças passam fome, não têm comida na mesa ou no futuro se tornarão marginais, a solução é simples: elas não deveriam nunca ter existido. A culpa é dos pais que as colocaram no mundo. Se trabalhadores pedem terra para cultivar enquanto latifundiários mantêm enormes propriedades improdutivas, o problema deve ser de quem?


REFERÊNCIAS:

MARX, Karl, ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Tradução de Frank Müller. 3ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2005.

Sobre a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais

Posted: 28.8.09 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Durante esta semana meu amigo Eliel e eu tivemos um proveitoso debate online sobre algumas questões políticas, as quais giraram em torno principalmente dos modos de produção capitalista e socialista. Posteriormente este assunto se estendeu, e chegamos a um tópico que tem sido debatido não apenas entre amigos ou nas mesas de bar, mas também no próprio Legislativo: a redução da jornada de trabalho semanal para 40 horas.

Eliel publicou em seu blog uma continuação deste debate que tivemos, e o presente post é uma réplica ao seu texto, que pode ser acessado clicando aqui.

Creio que o argumento do Eliel contra a redução da jornada se resume no seguinte ponto: "Menos horas trabalhadas geralmente corresponde a menos produção, e menos produção corresponde a aumento de preço no mercado."

A seguinte informação que ele apresentou parece reforçar isso:

"Michel Aburachid, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário no Estado de Minas Gerais (Sindivest-MG), disse ao Jornal do Comércio que 'se a mudança for aprovada será, literalmente, o fim das confecções em Minas Gerais.' Uma vez que a indústria do vestuário está perdendo mercado internacional (e até nacional) por causa da indústria chinesa (na China a carga horária semanal é de 60 horas) e da queda do Dólar ante ao Real, uma diminuição da carga horária seria altamente prejudicial ao setor.'"

Mas veja bem que este é um argumento patronal antigo, e pode ser remontado à época da Revolução Industrial. Foi muito utilizado quando os movimentos sindicais na Europa tentavam extinguir o trabalho infantil de crianças de 5 anos de idade.

Para responder a essa questão, vejamos alguns trechos de um estudo realizado pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos:

"Conforme dados da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), a participação dos salários no custo das indústrias de transformação era de 22%, em média, em 1999. Assim, uma redução de 9,09% da jornada de trabalho, conforme demandada pela campanha das centrais, representaria um aumento no custo total de apenas 1,99%, como mostram os dados a seguir:

a. Considerando que a participação dos salários no custo das indústrias de transformação é de 22%;
b. que a redução da jornada de trabalho reivindicada de 44 para 40 horas representa uma redução 9,09% das horas trabalhadas;
c. A conta é a seguinte: 1,0909 x 22= 23,99;
23,99 - 22 = 1,99% de aumento no custo total da produção

"Ao se considerar o fato de que uma redução de jornada leva a pessoa a trabalhar mais motivada, com mais atenção e concentração e sofrendo menor desgaste, é de se esperar, como resposta, um aumento da produtividade do trabalho, que entre 1990 e 2000, cresceu a uma taxa média anual de 6,50%."

"Assim, ao comparar o aumento de custo (1,99%), que ocorrerá uma única vez, com o aumento da produtividade, que já ocorreu no passado e continuará ocorrendo no futuro, vê-se que o diferencial no custo é irrisório. E quando se olha para a produtividade no futuro, em menos de seis meses ele já estará compensado.

"Mais um argumento a favor da redução da jornada de trabalho pode ser encontrado nos dados do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos que mostram o custo horário da mão-de-obra na indústria manufatureira em vários países. Um simples olhar para a tabela a seguir mostra que o custo da mão-de-obra brasileira não só é mais baixo, mas é muitas vezes mais baixo. O custo na Coréia do Sul, país que mais se aproxima dos valores brasileiros, é três vezes maior que o do Brasil. Isso significa que há muita margem para a redução da jornada.



"Assim, a redução de jornada não traria prejuízo algum à competitividade brasileira. Além disso, muitos países já têm jornada de trabalho menor que o Brasil. Na realidade, o diferencial na competitividade dos países não está no custo da mão-de-obra. Caso assim o fosse, os EUA e o Japão estariam entre os países menos competitivos do mundo, pois o custo da mão-de-obra está entre os maiores. O que torna um país competitivo são as vantagens sistêmicas que ele oferece: um sistema financeiro a serviço do financiamento de capital de giro e de longo prazo com taxas de juros acessíveis; redes de institutos de pesquisa e universidades voltadas para o desenvolvimento tecnológico; população com altas taxas de escolaridade; trabalhadores especializados; infra-estrutura desenvolvida, entre várias outras vantagens."

Vê-se assim como os velhos argumentos patronais se encontram com os pés firmemente plantados no meio do ar. Além disso, ainda poderíamos complementar dizendo o seguinte: não haverá queda de produção por causa da redução da jornada de trabalho. Na verdade, menos horas trabalhadas corresponderá à geração de novos postos de emprego, e geração de emprego é geração de renda, a qual aumentará a demanda, pois pessoas que antes estavam desempregadas agora entram para o mercado consumidor.

Eliel afirma em seu texto que "o importante é ter ciência de que, em economia, não existem respostas prontas e pré-fabricas, como os comunistas às vezes passam a impressão que é. "

Mas não são os comunistas que passam essa impressão. Ela é forjada pelos jornalões a serviço da classe dominante, os quais tentam de toda forma desqualificar qualquer alternativa à presente organização social da qual eles se beneficiam. É por isso que tem-se a impressão de que os comunistas postulam "sonhos como se fossem realidade". E que também comem criancinhas.

Um pouco sobre o conceito de ideologia em Marx e o materialismo histórico

Posted: 26.8.09 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
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Em vários outros posts deste blog eu já havia feito referência a dois conceitos fundamentais do pensamento de Marx: o de "ideologia" e o de "materialismo histórico". Tentarei agora, através de algumas citações do primeiro volume da obra A ideologia alemã ("Feuerbach - A contraposição entre as cosmovisões Materialista e Idealista"), de autoria de Marx e Engels, apresentar uma visão geral desses conceitos.

Ao inverter a dialética hegeliana de cabeça para baixo, "colocando-a de pé", Marx demonstrou que o homem não pensa para depois entrar ou viver no mundo. Ele primeiro está no mundo, vivo, e só depois disso é que pensa. Assim,

"...o primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto, de toda a história, é que todos os homens devem estar em condições de viver para poder 'fazer história'. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter moradia, vestir-se e algumas coisas mais. O primeiro fato histórico é, portanto, a produção dos meios que permitam que haja a satisfação dessas necessidades, a produção da própria vida material." (MARX, ENGELS, 2005, p. 53)

E para que essa produção da própria vida material aconteça, o homem estabelece relações sociais, de onde se segue que

"... um modo de produção ou uma determinada fase industrial estão sempre ligados a uma determinada forma de cooperação e a uma fase social determinada, e que essa forma de cooperação é, em si própria, uma 'força produtiva'; decorre disso que o conjunto das forças produtivas acessíveis aos homens condiciona o estado social e que, assim, a 'história dos homens' deve ser estudada e elaborada sempre em conexão com a história da indústria e do intercâmbio." (Ibid., p. 55)

Veja bem o final da última frase: "a 'história dos homens' deve ser estudada e elaborada sempre em conexão com a história da indústria e do intercâmbio." Por essa razão,

"A produção de idéias, de representações e da consciência está, no princípio, diretamente vinculada à atividade material e o intercâmbio material dos homens, como a linguagem da vida real. As representações, o pensamento, o comércio espiritual entre os homens, aparecem aqui como emanação direta do seu comportamento material. O mesmo ocorre com a produção espiritual, tal como aparece na linguagem da política, das leis, da moral, da religião, da metafísica, etc, de um povo." (Ibid., p. 51)

Disso ele conclui que "não é a consciência que determina a vida, mas a vida é que determina a consciência." (Ibid., p. 52)

"A consciência, consequentemente, desde o início é um produto social, e o continuará sendo enquanto existirem homens. A consciência é, antes de tudo, mera consciência do meio sensível mais próximo e consciência de uma interdependência limitada com as demais pessoas e coisas que estão situadas fora do indivíduo que se torna consciência." (Ibid., p. 55)

Mas a consciência comum de uma determinada época não expressa as relações sociais da forma como elas realmente são. Essa consciência é uma expressão das relações ideais da classe dominante, que por dominar materialmente, domina também espiritualmente:

"As idéias da classe dominante são, em todas as épocas, as idéais dominantes; ou seja, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo sua força espiritual dominante. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe também dos meios de produção espiritual, o que faz com que sejam a ela submetidas, ao mesmo tempo, as idéias daqueles que não possuem os meios de produção espiritual. As idéias dominantes, são, pois, nada mais que a expressão ideal das relações materiais dominantes, são essas as relações materiais dominantes compreendidas sob a forma de idéias; são, portanto, a manifestação das relações que transformam uma classe em classe dominante; são dessa forma, as idéias de sua dominação." (Ibid., p. 78)

"... cada nova classe que ocupa o lugar da que dominava anteriormente vê-se obrigada, para atingir seus fins, a apresentar seus interesses como sendo o interesse comum de todos os membros da sociedade; ou seja, para expressar isso em termos ideais; é obrigada a dar às suas idéias a forma de universalidade, a apresentá-las como as únicas racionais e universalmente legítimas." (Ibid., p. 80, grifo nosso)

Mas neste ponto geralmente surge a seguinte dúvida, principalmente àqueles recém-chegados ao pensamento de Marx: "mas há ideias que questionam essas ideias da classe dominante, a qual sempre tenta apresentar o seu mundo como o melhor e único possível. Como explicar então a existência de idéias divergentes das idéias da classe dominante?"

Para responder a isso, basta lembrar que o que foi dito há pouco: são as condições materiais que determinam a consciência. Por essa razão,

"A existência de ideias revolucionárias em um determinado tempo já supõe a existência de uma classe revolucionária, sobre cujos pressupostos já dissemos antes o necessário." (Ibid., p. 79)

Para finalizar, vamos resumir esses dois conceitos citando Abbagnano (2007):

"Marx de fato (cf. Sagrada família, 1845; Miséria da filosofia, 1847) afirmara que as crenças religiosas, filosóficas, políticas e morais dependem das relações de produção e de trabalho, na forma como essas se constituem em cada fase da história econômica. Essa era a tese que posteriormente foi denominada materialismo histórico. Hoje, por Ideologia, entende-se o conjunto dessas crenças, porquanto só têm a validade de expressar certa fase das relações econômicas e, portanto, de servir à defesa dos interesses que prevalecem em cada fase dessa relação."

Algumas poucas citações nunca poderão esclarecer um assunto ao qual um livro inteiro foi dedicado por seus autores. Espero que os trechos acima sirvam como incentivo a se beber direto na fonte.


REFERÊNCIAS:

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

MARX, Karl, ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Tradução de Frank Müller. 3ª ed. São Paulo: Martin Claret, 2005.

Capitalismo & outras coisas de crianças

Posted: 16.5.09 by Glauber Ataide in Marcadores:
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Capitalismo & outras coisas de crianças é um vídeo que nos convida a olhar de uma forma diferente para o mundo em que vivemos e a questionar algumas das mais básicas premissas da vida no Capitalismo.


Uma das proezas deste trabalho é apresentar em linguagem clara e sem jargões econômicos ou políticos as bases sobre as quais se assentam o Capitalismo. Tal característica me chamou a atenção para a capacidade deste vídeo em instruir e despertar a consciência crítica, ao demonstrar que um outro mundo é possível, ao contrário do que quer nos fazer pensar a ideologia imperialista neoliberal estadunidense.

Após assistir ao vídeo pela primeira vez, em inglês, entrei em contato com os produtores e perguntei se não havia legenda para outros idiomas. Eles disseram que infelizmente não. Eu me ofereci então para traduzir o vídeo para o português e também para criar as legendas. Eles apoiaram o projeto, se mostrando muito gratos e incentivando.

Após algumas semanas de trabalho, finalizei a tradução de todo o vídeo (51 minutos), criei o arquivo de legenda, submeti o trabalho a uma revisão e finalmente embuti a legenda no arquivo de vídeo. O resultado do trabalho está disponível para ser baixado nos links abaixo:


(Baixe os 4 arquivos e os descompacte. Eles irão gerar apenas um arquivo de vídeo.)

Caso você queira assistir online, apesar da qualidade de resolução ser um pouco inferior, ele pode ser acessado em http://www.vimeo.com/4799723.

As idéias expostas neste vídeo você não encontra nos discursos dos políticos, da Rede Globo ou de outros órgãos de imprensa membros do PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Divulgue a idéia.

A crise mundial do Capitalismo

Posted: 29.4.09 by Glauber Ataide in Marcadores:
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1. A CRISE estrutural que atinge o Brasil, embora com características próprias, não é fenômeno apenas brasileiro. Faz parte da crise mundial do capitalismo-imperialismo, parasitário e em decomposição. Baseado no monopólio, esse sistema conduziu - como previram os clássicos do marxismo - à gigantesca concentração da produção e da renda nas mãos de um punhado de monopolistas que domina e explora o mundo inteiro. A concentração toma forma mais precisa no aparecimento dos oligopólios de feição multinacional. Uns poucos oligopólios controlam ramos inteiros de indústrias fundamentais instaladas em diferentes regiões do Globo. E a partir desse controle, submetem a economia de inúmeros países. Tal concentração manifesta-se igualmente no capital financeiro, no reforçamento da oligarquia financeira internacional que promove a espoliação e submissão, econômica e política, de grande parte das nações.

2. A DECOMPOSIÇÃO do capitalismo expressa-se claramente no aumento do parasitismo, uma das marcas salientes da crise mundial do capitalismo. Grandes recursos já não são aplicados em empreendimentos produtivos, mas na especulação financeira. Desviam-se somas consideráveis para operações nas bolsas de valores ou em meras transações lucrativas. Dinheiro ganha dinheiro sem passar pelos processos da produção, da criação de riquezas e bens materiais destinados ao consumo das populações em crescimento constante. Esse parasitismo acarreta inevitavelmente o afastamento de grandes massas do trabalho socialmente útil. A burguesia já não participa da atividade produtiva. A direção das empresas é exercida pelos executivos, pessoas contratadas a soldo elevado, o que demonstra que a sociedade pode prescindir dos capitalistas na direção e administração da economia. Os ricos burgueses levam uma vida parasitária, são rentistas, ou seja, gente que vive do rendimento de fabulosas fortunas alcançadas pela violenta exploração dos trabalhadores e dos povos. Em nada contribuem para o progresso e o bem-estar da sociedade.

3. O SISTEMA capitalista revela elementos reais de estagnação, fator aceleratório da crise. Um desses elementos consiste em que o capitalismo já não consegue envolver o conjunto da sociedade no processo da produção. Cada vez é maior o número de pessoas marginalizadas, carentes de trabalho. A estagnação reflete-se também no fato de que o capitalismo se atrasa sempre mais em relação às imensas possibilidades que o avanço da ciência e da técnica abre ao progresso da humanidade. Suas contradições internas freiam a utilização ampla dessas possibilidades. Com o nível alcançado no terreno científico e tecnológico, o conjunto da população mundial poderia usufruir, no presente, uma vida tranqüila e feliz.

4. CONTUDO, O capitalismo ainda se desenvolve apesar do parasitismo e da decomposição. Tenta um novo padrão de crescimento baseado no advento da microeletrônica, da biotecnologia e da revelação da estrutura do núcleo do átomo, que permite o surgimento de novos e modernos inventos tecnológicos aplicados em diversos domínios. Mas esse progresso no campo da tecnologia circunscreve-se a poucos países, os mais altamente industrializados, que dele se servem para impor sua hegemonia em âmbito mundial. É monopólio de pequeno grupo. A chamada tecnologia de ponta, um dos principais instrumentos para a obtenção de lucros extraordinários, visa assegurar a supremacia de diminuto número de países imperialistas sobre o mundo inteiro.

5. A CRISE do sistema capitalista-imperialista, decorrente das contradições que encerra, aprofunda-se incessantemente. Revela-se na recessão prolongada, nos tremendos desajustes sociais, na inflação persistente, no desemprego estrutural, na corrupção generalizada, na fome e miséria que se estendem por toda a parte, no abismo que separa os países ricos da imensa maioria das nações, na degradação da sociedade capitalista.

6. O CAPITALISMO é regime obsoleto, historicamente superado. Não tem condições de resolver os graves problemas por ele mesmo criados. Enquanto perdure, prosseguirá a decomposição do regime, acentuar-se-á a degenerescência em todos os aspectos da vida da sociedade humana.


(Extraído do Programa Socialista - Construindo o futuro do Brasil, do Partido Comunista do Brasil - PCdoB, em http://www.vermelho.org.br/pcdob/programa/default.asp.)

O Príncipe, de Maquiavel - um "manual prático" sobre como conquistar e manter o poder

Posted: 23.3.09 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Nicolau Maquiavel, na obra "O príncipe", escrita entre 1513 e 1516, se propõe a tratar do problema do poder. Mais especificamente, de como alcançá-lo e de como mantê-lo, conforme resume seu subtítulo. Pelos últimos capítulos de seu livro, apreende-se que seu objetivo a curto prazo era contribuir para a unificação e libertação da Itália, já que os primeiros Estados modernos já começavam a aparecer pela Europa, enquanto que a Itália ainda se encontrava fragmentada e em conflitos.

Utilizando-se de sua experiência de homem de Estado, Maquiavel, após ser liberto do encarceramento que lhe sobreveio por intrigas políticas, resolve compilar todo o seu conhecimento sobre o assunto nesta pequena mas valiosíssima obra, a qual tem sido lida por chefes de Estado e homens de poder de todos os tempos desde então. 

Ele se refere ao fato de muitos já terem imaginado Estados que nunca existiram, fazendo uma referência a pensadores como Platão, por exemplo, e mostra que seu pensamento tem outro ponto de partida: a experiência concreta, o mundo da forma como ele é, da forma como ele existe aqui e agora.

Um dos principais temas apresentados por Maquiavel n' "O príncipe" é a separação entre Ética e Política. Daí talvez a razão do termo "maquiavélico" ter atingido hoje a presente conotação entre os não-especialistas.

Maquiavel não se preocupa com o ser "bom", mas com o "parecer bom" e com aquilo que "funciona". De fato, quando investigando sobre se o príncipe deve cumprir seus compromissos e honrar suas palavras, ele afirma que 

...um príncipe sagaz não deve cumprir seus compromissos, quando isso não estiver de acordo com seus interesses e quando as causas que o levaram a comprometer sua palavra não existam mais. (MAQUIAVEL, p. 173)

E ainda: "...é necessário que um príncipe saiba muito bem disfarçar sua índole e ser um grande hipócrita e dissimulador..." (p. 174), pois "...os seres humanos, de uma maneira geral, julgam mais pelo que vêem e ouvem do que pelo que sentem. Todos vêem o que pareces ser, mas poucos realmente sentem o que és." (Ibid., p. 176)

De fato, "...as pessoas comuns são sempre levadas pelas aparências e pelos resultados e é a massa vulgar que constitui o mundo." (Ibid., p. 176)

Assim, a sua obra, que às vezes nos lembra um "manual prático", é pautada por aquilo que objetivamente "funciona" para alcançar e manter o poder, no mundo como ele é agora, e não como "deveria ser". 

Logo no início eles nos aconselha que "...os homens ou precisam ser adulados ou esmagados, pois se vingarão dos pequenos erros e não dos graves. O dano que causar a um homem deve ser tal que não preciseis temer sua vingança." (Ibid., p. 55)

Assim ele ensina sobre a crueldade. Ela pode ser bem aplicada ou  mal aplicada, mas ambas "devem ser feitas todas de uma vez, pois, dessa forma, elas serão menos sentidas. Os benefícios, por outro lado, devem ser concedidos um de cada vez, pois assim serão melhor apreciados." (Ibid., p. 114). Na verdade, um príncipe "não deve se importar se o considerarem cruel quando, por causa disso, puder manter seus súditos unidos e leais." (Ibid., p. 164) É a polêmica questão se os fins justificam os meios.

De especial relevância em sua obra é a questão da guerra. A verdadeira especialidade do príncipe, a ocupação que convém a quem governa é "a arte da guerra, sua regulamentação e a disciplina do exército" (Ibid., p. 148). E assim ele discorre sobre as diferentes tropas que um príncipe pode possuir, e adverte: deve-se evitar as tropas mercenárias, e as tropas auxiliares são piores ainda que aquelas. De fato, quando o príncipe se utiliza de outros exércitos que não o seu próprio, ele se coloca em uma situação delicada, a qual nos remete ao exemplo bíblico de Davi versus Golias: Davi rejeitou a armadura de Saul por lhe ser muito pesada. É assim que o príncipe deve se comportar.

Na célebre questão sobre se é melhor ser amado ou temido, Maquiavel afirma que o desejável é que se pudesse ser ambos, "...mas como é difícil que isso aconteça ao mesmo tempo, então, é muito mais seguro ser temido que amado, quando se tem que escolher entre os dois." (Ibid., p. 166)

Algumas das razões para isso é que "...os homens hesitam menos em ofender aquele que se faz amar do que aquele que se faz temer", e que "...o medo, mantido pelo temor de punição, nunca deixa o homem." (Ibid., p. 166)

O príncipe deve atuar como raposa e como leão: ele deve evitar descuidar de sua dignidade perante a plebe e evitar mostrar sua origem humilde, quando for o caso, para não ser desprezado (seria por isso que tanta gente despreza nosso presidente Lula?).

Entretanto, evitar ser odiado não é tudo. O príncipe deve também fazer de tudo que puder para ser estimado. Algumas das melhores maneiras de se conseguir isso são: realizar grandes empreendimentos e exibir grandes virtudes; dar exemplos notáveis de sua administração interna; se mostrar sempre a favor ou contra alguém, nunca neutro; divertir o povo com festividades e espetáculos; estar sempre presente em assembléias de corporações e classes sociais, dando exemplo de afabilidade e magnificência, mas sempre preservando sua majestade e dignidade; etc.

Mas o príncipe não governa sozinho. Ele deve saber ouvir seus conselheiros para tomar sempre as melhores decisões. E quanto aos conselheiros, Maquiavel afirma que "do caráter das pessoas que o príncipe se faz rodear depende a primeira impressão que é formada sobre sua própria habilidade." (Ibid., p. 214) 

E entre as pessoas que se encontram próximas do principe, há sempre os aduladores, dos quais os príncipe deve se proteger. Para tal, é necessário pelo menos três atitudes de sua parte: fazer as pessoas entenderem que ele não se se sentirá ofendido se lhe for dito a verdade; autorizá-las a falar exclusivamente sobre o que lhe for perguntado, e nada mais; e desencorajá-las a dar conselhos quando não lhes for solicitado.

Essas são algumas das características que o príncipe deve possuir ou desenvolver para conquistar e manter o poder. Esta obra, a qual tem demonstrado e confirmado seu valor através do tempo, tem sido o livro de cabeceira de muitos homens de Estado ao longo dos séculos. Enquanto que a Ética e a Política, para Aristóteles, são indissociáveis, pois têm como diferença apenas o escopo do bem que cada uma almeja (a Ética está para o indivíduo assim como a Política está para a pólis), Maquiavel efetua essa distinção e demonstra que a ciência política é uma arte a ser aprendida.


REFERÊNCIAS:

MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: DPL Editora, 2008.