Pirâmide do capitalismo

Posted: 12.8.10 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
3

Clique na imagem para ampliar.



Esta gravura, de 1911, ilutra a hierarquia social do capitalismo, representando os trabalhadores na base da pirâmide que sustenta toda a sociedade. São estes que geram as riquezas apropriadas pelas classes exploradoras e dominantes.


Capitalismo & outras coisas de crianças (vídeo)

Posted: 20.7.10 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
3

Capitalismo & outras coisas de crianças é um vídeo que nos convida a olhar de uma forma diferente para o mundo em que vivemos e a questionar algumas das mais básicas premissas da vida no Capitalismo.

Este trabalho apresenta em linguagem clara e sem jargões econômicos ou políticos as bases sobre as quais se assentam o Capitalismo.

Após assistir ao vídeo pela primeira vez, em inglês, entrei em contato com os produtores e perguntei se não havia legenda para outros idiomas. Eles disseram que infelizmente não. Eu me ofereci então para traduzir o vídeo para o português e também para criar as legendas. Eles apoiaram o projeto, se mostrando muito gratos e incentivando.

Após algumas semanas de trabalho finalizei a tradução de todo o vídeo (51 minutos), criei o arquivo de legenda, submeti o trabalho a uma revisão e finalmente embuti a legenda no arquivo de vídeo. O resultado do trabalho está disponível abaixo, e também pode ser baixado nos links disponíveis neste post.

Sonhar com provas, vestibulares, etc - Freud explica

Posted: by Glauber Ataide in Marcadores: ,
0


Nesta noite tive um sonho de fácil interpretação que compartilho logo abaixo. Este tipo de sonho, de forma geral, sempre admite semelhante interpretação, por se tratar do que Freud chamava de "sonhos típicos".


Sonho da prova

Sonhei que havia feito uma prova de Estatística na faculdade, a qual era a última do semestre e cujo resultado decidiria se eu me formaria ou não.

Ao me encontrar com a professora responsável lhe pedi o resultado, ao que ela me informou que eu havia sido reprovado.

Fiquei muito angustiado com tudo aquilo, pois teria que ficar mais um semestre na faculdade só por causa desta matéria.

Disse que iria recorrer à coordenação para revisar a correção da prova, pois estava certo que ela não havia considerado o desenvolvimento das questões abertas.


Material do dia anterior

Para descobrir o que o sonho significa, o primeiro passo, segundo Freud, é descobrir os eventos do dia anterior que lhe deram origem.

Na noite do dia anterior eu havia visitado o site da faculdade para conferir o resultado da última prova que fiz da matéria de Estatística, a qual realmente decidiria se eu me formaria ou não.

Mas para minha surpresa, todas as opções do sistema haviam sumido, e assim eu não pude saber o resultado e fui dormir com esta dúvida.


Interpretação

Na primeira vez que eu fiz a disciplina Estatística (3º período) eu fui reprovado, pois estava quase desistindo do curso, sem motivação alguma, apesar da matéria ser fácil. Na ocasião ela foi ministrada por uma outra professora.

Mas desta vez ela foi aplicada pela professora que aparece no sonho, e com a qual eu tive uma disciplina diferente no semestre anterior.

O importante aqui para descobrir que desejo este sonho está realizando é atentar para o fato de que eu havia passado na disciplina do semestre anterior com a mesma professora que aparece no sonho.

Em sua obra "A interpretação dos sonhos" há uma seção chamada "Sonhos com exames" na qual Freud discorre sobre este tipo de sonho.

Freud afirma que os sonhos com exames, provas, vestibulares, etc, sempre se referem a uma situação pela qual a pessoa passou com sucesso, mostrando assim que a sua angústia havia sido injustificada.

No caso deste sonho a professora que me aplicou a matéria era coincidentemente a mesma com a qual eu já havia sido aprovado em outra disciplina, e as falas que aparecem neste sonho (como quando eu disse que iria recorrer à coordenação para revisar a correção da prova) já haviam ocorrido na vida real, quando da matéria do semestre passado.

Reproduzo abaixo este trecho completo da obra "A interpretação dos sonhos", de Freud:


(D4) SONHOS COM EXAMES

Quem quer que tenha passado pelo vestibular no final de seus estudos escolares queixa-se da obstinação com que é perseguido por sonhos angustiantes de ter sido reprovado, ou de ser obrigado a refazer o exame etc. No caso dos que obtiveram um grau universitário, esse sonho típico é substituído por outro que os representa como tendo fracassado em seus Exames Universitários Finais; e é em vão que fazem objeções, mesmo enquanto ainda estão adormecidos, de que há anos vêm exercendo a medicina ou trabalhando como conferencistas da Universidade ou como chefes de escritório. As lembranças inextirpáveis dos castigos que sofremos por nossas más ações na infância tornam-se ativas em nós mais uma vez e se ligam aos dois pontos cruciais de nossos estudos - o “die irae, dies illa” de nossos exames mais duros. A “angústia de prestar exames” dos neuróticos deve sua intensificação a esses mesmos medos infantis. Quando deixamos de ser estudantes, nossos castigos já não nos são infligidos por nossos pais ou por aqueles que nos criaram, ou, posteriormente, por nossos professores. As implacáveis cadeias causais da vida real se encarregam de nossa educação ulterior, e passamos a sonhar com o Vestibular ou com os Exames Finais (e quem não tremeu nessas ocasiões, mesmo que estivesse bem preparado para as provas?) sempre que, tendo feito algo errado ou deixado de fazer alguma coisa de maneira apropriada, esperamos ser punidos por esse acontecimento - em suma, sempre que sentimos o fardo da responsabilidade.

Por uma explicação adicional sobre os sonhos com exames tenho de agradecer a um experiente colega [Stekel], que certa vez declarou, numa reunião científica, que, ao que ele soubesse, os sonhos com o Vestibular só ocorriam nas pessoas que tinham sido aprovadas, e nunca nas que foramreprovadas nele. Ao que parece, portanto, os sonhos de angústia referentes a exames (os quais, como já foi confirmado repetidas vezes, surgem quando o sonhador tem alguma responsabilidade pela frente no dia seguinte e teme que haja um fiasco) procuram alguma ocasião do passado em que uma grande angústia se tenha revelado injustificada e tenha sido desmentida pelos acontecimentos. Esse, portanto, seria um exemplo notável de o conteúdo de um sonho ser mal interpretado pela instância de vigília. [Ver em [1].] O que é considerado um protesto indignado contra o sonho - “Mas eu já sou médico, etc.!” - seria, na realidade, o consolo trazido pelo sonho, e seu enunciado por conseguinte, seria: “Não tenha medo do amanhã! Pense só em como você estava ansioso antes do Vestibular e, no entanto, nada lhe aconteceu. Você já é médico (etc.)!” E a angústia que é atribuída ao sonho decorreria, na realidade, dos restos diurnos.

Os testes a que tenho submetido essa explicação com respeito a mim mesmo e a outras pessoas, embora não tenham sido suficientemente numerosos, têm confirmado sua validade. Por exemplo, eu próprio fui reprovado em Medicina Forense em meus Exames Finais, mas nunca tive de enfrentar essa matéria nos sonhos, ao passo que, com muito freqüência, fui examinado em Botânica, Zoologia ou Química. Fiz prova dessas matérias com uma ansiedade bastante justificada, mas, fosse pela graça do destino ou dos examinadores, escapei à punição. Em meus sonhos com provas escolares, sou invariavelmente examinado em História, na qual me saí brilhantemente - embora apenas, é verdade, porque [no exame oral] meu bondoso mestre (o benfeitor de um olho só de outro sonho, ver em [1]) não deixou de notar que, no papel que lhe devolvi com as perguntas, eu havia riscado com a unha a questão do meio entre as três formuladas, para avisá-lo que não insistisse naquela pergunta específica. Um de meus pacientes, que resolvera não fazer o Vestibular na primeira vez, mas depois foi aprovado nele, e que em seguida foi reprovado em seu exame para o exército, não tendo jamais obtido uma patente, contou-me que sonha com freqüência com o primeiro desses exames, mas nunca com o segundo.

A interpretação dos sonhos com exames enfrenta a dificuldade a que já me referi como sendo característica da maioria dos sonhos típicos [em [1]]. Só raramente o material que o sonhador nos fornece nas associações é suficiente para interpretarmos o sonho. Somente reunindo um número considerável de exemplos desses sonhos é que poderemos chegar a uma melhor compreensão deles. Não faz muito tempo cheguei à conclusão de que a objeção “Você já é médico, (etc)!” não apenas oculta um consolo, como também significa uma recriminação. Esta seria: “Você já está muito velho agora, com uma idade muito avançada, mas ainda continua a fazer essas coisas estúpidas e infantis.” Essa mescla de autocrítica e consolo corresponderia, assim, ao conteúdo latente dos sonhos com exames. Sendo assim, não supreenderia que as auto-recriminações por ser “estúpido” e “infantil” nestes últimos exemplos se referissem à repetição de atos sexuais repreensíveis.

Wilhelm Stekel, que propôs a primeira interpretação dos sonhos com o Vestibular [“Matura”], era de opinião que eles estavam regularmente relacionados com provas sexuais e com a maturidade sexual. Minha experiência tem muitas vezes confirmado seu ponto de vista.


Freud e Marx ? Psicanálise e Marxismo ?

Posted: 16.7.10 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
17


Há alguns dias uma psicóloga e psicanalista me enviou um interessante e-mail fazendo algumas perguntas sobre a aproximação que ela percebeu neste blog entre Marx e Freud.

Alguns pensadores argumentam que não é possível uma convergência entre as duas correntes, não obstante se aproximarem em alguns aspectos metodológicos. Até o próprio Freud chega a "criticar" o comunismo em O mal-estar na civilização.

Há, no entanto, uma outra linha de pensamento que constrói essa ponte entre os dois, e que talvez seja menos conhecida.

Reproduzo abaixo o e-mail que lhe enviei.


Olá, *******

Há uma corrente chamada "freudo-marxismo" que faz uma síntese de Freud e Marx. Este artigo é bem interessante para uma introdução no assunto:


Freud nunca chegou a conhecer bem o pensamento de Marx. Quem primeiro trouxe a discussão à Sociedade Psicanalítica de Viena foi Adler, mas ele não tinha uma boa compreensão do que estava expondo a Freud que, por sua vez, não se "empolgou" com o assunto.

Talvez o maior psicanalista que tenha trabalhado nessa síntese tenha sido o Reich. Ele era comunista, e muitos anos depois também apresentou a Freud algumas coisas de Marx. Ele também introduziu, no entanto, muitas de suas próprias ideias como sendo de Marx, e são elas que Freud critica em O mal-estar na civilização. Ou seja, neste livro, Freud critica muito mais Reich do que Marx.

Dois anos antes de morrer, Freud reconheceu que seu conhecimento do marxismo era mínimo (assim como ele já tinha feito em O mal-estar na civilização) e disse o seguinte:

"Sei que os meus conhecimentos sobre o marxismo não revelam nenhuma familiaridade maior, não mostram uma compreensão adequada dos escritos de Marx e Engels. Fiquei sabendo mais tarde, com certa satisfação, que nem um nem o outro negaram a influência dos fatores do ego e do superego. Isso desfaz o principal conflito que eu pensava existir entre o marxismo e a psicanálise."

Esta última citação eu extraí do livro O marxismo na batalha das ideias, de Leandro Konder, p. 111.


Obrigado pelo contato, e abraços,
Glauber

Não é apenas um emprego...

Posted: by Glauber Ataide in Marcadores: ,
0

Clique na imagem para ampliar.



Original de Sidewalk Bubblegum © - Tradução de Glauber Ataide

Jesus Cristo foi um revolucionário?

Posted: 11.7.10 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
3

O cristianismo, em seus primórdios, encontrou principalmente entre as camadas mais pobres da população um fértil terreno para sua expansão. Não simplesmente como ideologia alienante imposta pelas classes dominantes, pois era uma religião proibida, ilegal e perseguida. Era um movimento autenticamente popular e que ganhava espaço justamente por responder aos anseios populares por justiça e igualdade social. A estrutura comunista primitiva da igreja deixa isso muito claro, sendo um dos principais atrativos do cristianismo para os pobres.

Pela proximidade tanto temporal quanto doutrinária entre a atividade de Jesus e o surgimento das primeiras comunidades cristãs tem-se uma boa indicação de que as posições políticas de Jesus realmente se aproximavam daquilo que praticavam essas comunidades no seu dia-a-dia. Sua mensagem dificilmente seria acolhida entre os pobres apenas por causa do seu conteúdo "intelectual".

Outro aspecto que parece explicar e reforçar esta caracterização política do cristianismo primitivo é através da investigação da progressiva tomada de consciência de Jesus tanto sobre ele próprio quanto de sua atividade.

Se Jesus é Deus e homem ao mesmo tempo, como afirma a doutrina cristã, em que momento ele adquiriu essa consciência?

É muito estranho imaginar, como afirmam alguns evangelhos apócrifos, que desde pequeno ele já tenha se considerado "filho de Deus" e até saísse matando outras crianças por aí com poderes que só ele tinha (vide o evangelho apócrifo de Tomé, no qual ele mata algumas pessoas apenas ao proferir maldições sobre elas).

É bem mais razoável que Jesus tenha adquirido a consciência de sua identidade de forma progressiva. E este termo - "progressiva" - é muito importante para auxiliar na compreensão de sua atividade.

Imaginemos o momento em que ele compreendeu que o Messias era ninguém menos que ele próprio. O que ele entendia por "Messias"? Provavelmente a mesma coisa que todo mundo: que o Messias era uma figura política, um rei temporal que libertaria Israel do jugo estrangeiro imperialista romano.

A Palestina, na época de Jesus, fervilhava de partidos e movimentos de libertação nacional. Tanto é que até um de seus apóstolos escolhidos era um revolucionário zelote (Simão, o Zelote). Os zelotes eram um grupo político nacionalista que praticava a luta armada contra Roma.

As supostas "profecias" no AT de que o Messias seria um profeta pacífico que morreria para dar libertação apenas "espiritual" são, no mínimo, "forçadas". Não convencem judeu nenhum hoje. Os primeiros intérpretes cristãos se utilizaram de uma forma de interpretação alegórica e fora de contexto bem peculiar, forçada, estranha até.

Até mesmo o filósofo estadunidense William Lane Craig parece reconhecer isso implicitamente quando afirma que deve ter acontecido um fenômeno muito impactante que levou os discípulos a tentarem conciliar a pessoa de Jesus com o Messias do AT, procurando, desesperadamente, "provas" de que as profecias se cumpriam nele. Este fenômeno teria sido a ressurreição, segundo Craig. Afinal, se esse cara ressuscitou, ele só pode ser o Messias.

Jesus não defendeu até o final de sua vida posições políticas tão avançadas quanto à dos zelotes. Se considerarmos, contudo, que sua tomada de consciência foi progressiva, isso joga luz sobre várias passagens que a interpretação tradicional não consegue explicar satisfatoriamente, indicando que num determinado momento ele chegou a se alinhar com tais grupos de libertação nacional .

Em diversas passagens Jesus fala sobre espadas, guerras, etc. Interpretações alegóricas simplesmente "rebolam" para explicar por que é que ele disse "quem não tem espada venda a sua capa e compre uma", por exemplo. (Interpretações alegóricas são perigosas, e com elas se prova qualquer coisa. A imaginação é o seu único limite).

O que alguns autores irão afirmar é que essas aparentes "contradições" entre um Jesus que algumas vezes fala sobre "guerras" e "espadas", por um lado, e "amar o inimigo" e "dar a César o que é de César", por outro, são explicadas por essa tomada de consciência progressiva, tanto de sua identidade quanto de sua atividade.

Essa perspectiva é explorada de forma fictícia no filme A última tentação de Cristo. Não obstante ser apenas um romance, esta obra nos chama a atenção para o aspecto mais humano da figura de Jesus, já que quase sempre ouvimos falar só no seu lado divino.

Um tratamento histórico desta questão se encontra em um capítulo da obra História do socialismo e das lutas sociais, de Max Beer. Após fazer uma breve exposição do contexto em que atuou e viveu Jesus e de mostrar como ele abandonou posteriormente o projeto popular de libertação nacional, o autor faz este balanço:

"Jesus Cristo foi um revolucionário acima de seu tempo. Ultrapassa o judaísmo. Atravessa as fronteiras nacionais e reduz a pó o edifício religioso tradicional que seu povo havia erigido à custa de tantos sacrifícios e de tantas angústias. Os judeus, certamente, poderiam ter perdoado Jesus, se ele tivesse colocado a sua popularidade a serviço do movimento de emancipação nacional contra Roma. Os judeus não obtiveram o perdão para Barrabás, que fora condenado a morrer na cruz em virtude da sua atividade revolucionária contra o domínio de Roma? Mas Jesus e os seus partidários estavam, nesse ponto, tão distantes das massas judaicas, que o evangelista Marcos chegou a condenar a atividade patriótica de Barrabás como um 'crime', um incitamento à 'matança'. Tanto do ponto de vista religioso quanto do político-social, Jesus se situava tão distante da civilização judaica como da romana. Eis porque foi condenado a morrer crucificado."


A atividade de Jesus, de acordo com Beer, foi continuar a obra dos profetas. Tinha um sentido claramente antinacional e antireligioso, sendo sua doutrina anarcocomunista e baseada na moral estóica. Jesus Cristo foi um revolucionário em algum momento de sua vida, mas não morreu como tal. Suas posições políticas se alteraram com o passar do tempo, de forma que as aparentes contradições dos textos bíblicos são melhor explicados justamente por estas transformações em sua consciência.

Uma anedota do "pacífico" povo brasileiro - a Guerra do Paraguai

Posted: 8.7.10 by Glauber Ataide in Marcadores:
0


A velha cantilena de que o brasileiro é “pacífico”, “acomodado” e etc é um dos engodos das classes dominantes mais fáceis de se desmentir. Basta abrirmos um bom livro de história para ali encontrarmos, sem folhear muito, histórias de revoltas, guerrilhas e revoluções que pedem para ser esfregadas na cara de quem quer imputar essa autoimagem ao brasileiro.

Nem todas essas lutas, contudo, foram por “boas causas”. Apesar de a maioria dos movimentos armados praticados no país terem sido por liberdade e independência, o Brasil também já praticou guerras de rapina. E uma delas foi contra o nosso vizinho Paraguai.

Em 1864, o Paraguai era uma nação em franco desenvolvimento. Lá não havia analfabetismo. Os telégrafos se expandiam e a indústria da construção naval prosperava. Isso era uma ameaça à maior potência sul-americana da época - o Brasil.

Não foi difícil encontrar um motivo para justificar a guerra (como esses que os EUA sempre formulam para invadir outros países). O Paraguai tinha se aliado à França, o que contrariava os interesses da Inglaterra no continente. Além disso, o Paraguai tinha um pacto com o Uruguai, e quando este foi invadido pelo Brasil (que cismou ter o direito de depor seu governante), o Paraguai veio em seu socorro e a matança teve início. E para ambos os lados.

Num determinado momento, os paraguaios chegam a invadir o estado do Mato Grosso, com uma ofensiva bem planejada, com mais de 30.000 soldados concentrados na região. Provocaram, contudo, a fúria da Argentina ao passar por uma de suas cidades sem permissão, sendo este o estopim para que a Argentina se aliasse ao Brasil contra eles.

A coisa foi tão feia quem numa determinada batalham mais de 20 mil paraguaios foram mortos de uma só vez. E o ódio dos soldados brasileiros era tão grande que nem os cavalos do inimigo foram poupados.

Quando, finalmente, Assunção é invadida, os brasileiros saqueiam a cidade e levam até pianos, com os quais eles enchem os porões de dois navios. A ordem de D. Pedro II era acabar com todo mundo, mas o general Caxias lhe escreve dizendo que não quer continuar: “... senão terei que matar o último paraguaio, no ventre da última paraguaia.”

Mas a guerra prossegue, e D. Pedro II manda o seu genro, Luís Filipe Gastão, para substituir Caxias. Para novamente conseguir fugir, o presidente paraguaio López tentou um ardil: colocou 10.000 crianças vestidas com o uniforme do exército paraguaio usando barbas de milho e armas de brinquedo. Mas Luís Filipe não teve dó nem piedade. Mandou matar todas as crianças e ainda mandou incendiar o Hospital do Sangue, onde agonizavam os soldados paraguaios.

Resultado: o Paraguai perdeu 2,2 milhões de cidadãos, e o Brasil, 200 mil. O Paraguai se desestabilizou por completo, assim como o Brasil, que não conseguiu se reerguer.

Eis aí um pequeno capítulo de nossa (não muito comentada) história, do “pacífico” povo brasileiro. E isso não é para mostrar que somos "maus" ou qualquer coisa assim. É para dissipar essa imagem romântica de que o brasileiro não luta. Ele luta, sempre lutou, e algumas vezes até por interesses reprováveis, como nessa guerra.


REFERÊNCIA

VIEIRA, Cláudio. A história do Brasil são outros 500. São Paulo: Record, 2000.

Por que parar com a ciência criacionista?

Posted: 5.7.10 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
6

Clique na imagem para ampliar.


Original de Sidewalk Bubblegum © - Tradução de Glauber Ataide

É assim que somos livres no capitalismo

Posted: 30.6.10 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
1

Clique na imagem para ampliar



Original de Sidewalk Bubblegum © - Tradução de Glauber Ataide

Alvin Plantinga - a crença em Deus é básica?

Posted: 29.6.10 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
1

Alvin Plantinga é um filósofo americano, calvinista, bastante cultuado em alguns círculos protestantes por seu trabalho na área da filosofia da religião. Uma de suas mais conhecidas teses é a de que a crença em Deus não precisa de justificação epistêmica por ser uma "crença apropriadamente básica".

Uma crença é definida como "básica" quando ela não precisa se apoiar em nenhuma outra para que se creia nela. Por exemplo, minha crença de que 2 + 2 = 4 não se apóia em nenhuma outra mais básica que ela - eu simplesmente sei que essa proposição é verdadeira.

Assim sendo, Plantinga pretende reduzir a crença em Deus como uma dessas crenças básicas - i.e., ele vai tentar justificar a "verdade calvinista" do "sensus divinitatis".

Para ele, os argumentos da teologia natural para provar a existência de Deus são no mínimo desnecessários, pois além de tudo eles não funcionam.

Mas surge uma questão: o que dizer quando aparecem os chamados "invalidadores", ou seja, argumentos que "minam" a crença em Deus?

Se minha crença em Deus é básica e eu sou confrontado com argumentos racionais que mostram que é pouco provável que Deus exista, minha crença em Deus ainda pode ser considerada como "racional"?

Especificamente, o que dizer das teorias de Freud e Marx que apontam a origem da religião e da idéia de Deus não de um mundo transcendente, mas sim como criação humana?

É justo salientar que as teorias de Freud e Marx sobre a religião não podem provar diretamente a não-existência de Deus (pois é impossível provar a não-existência de qualquer coisa, até mesmo do Papai Noel ou do Coelhinho da Páscoa), mas podem ser invalidadores do argumento de alguns teólogos de que a existência da religião e da idéia de Deus em si apontam para a existência de algum tipo de realidade transcendente.

Argumentos como os de Freud e Marx nunca podem ser tomados de forma isolada, "soltos" no mundo, pois eles estão inseridos dentro de um contexto, de uma determinada cosmovisão. E é assim que eles fornecem coerentes explicações alternativas àquelas cristãs, sendo superiores e preferíveis no quesito de não recorrer à existência de entes desnecessários para explicar os objetos em questão (navalha de Ockham).

Assim, se tomados isoladamente, pode-se talvez considerar que tenham pouca força epistêmica. No entanto, em conjunto com outros invalidadores, eles fazem com que a crença em Deus deixe de ser básica e exija justificação racional, ao contrário do que defende Plantinga.

Pois se analisados em conjunto com outros argumentos, tais como as evidências da evolução natural das espécies e o tipo e a quantidade de mal existente no mundo, eles se tornam uma séria objeção à crença em Deus, forçando o crente a recorrer à boa e velha teologia natural a fim de manter a racionalidade de sua crença, que foi básica apenas enquanto durou sua inocência.