O idiota, de Dostoievski, e Policarpo Quaresma, de Lima Barreto
Posted: 5.4.11 by Glauber Ataide in Marcadores: Livros
"Die Philosophen haben die Welt nur verschieden interpretiert; es kommt aber darauf an, sie zu verändern." (Karl Marx)
Quem já conversou com brucutus fascistas sabe que é muito difícil fazê-los entender coisas simples, básicas, elementares. O fascismo se caracteriza pelo irracional.
Hoje, ao ouvir na TV a afirmação de que "a impunidade é a maior causa da violência", me ocorreu desenhar o esquema abaixo, tornando assim mais fácil à "elite intelectual brasileira" (a classe média se considera assim) compreender por que a proposta marxista para acabar com a violência faz mais sentido que a deles. (Eu acredito na educação, sou incorrigível nisso. Chego a ponto de acreditar que alguns poucos fascistas são recuperáveis.)
Reparem que enquanto o fascista quer acabar com a violência matando o pobre, os comunistas querem fazê-lo acabando com a pobreza.
E por último, vejam que a lógica não é o forte dos arianos tupiniquins: eles não atacam a causa do problema, mas tentam reforçar seu efeito, pensando que assim o ciclo será interrompido. Já disse que eles são uns brucutus, não?
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O segredo para não se endividar é "administrar" bem o que você ganha. Ou pelo menos é isso que os "especialistas" nos ensinam nos quadros dos telejornais. Mas vamos prestar bem atenção no que esses "especialistas", papagaios do óbvio, estão propalando na mídia burguesa.
Reparem que a questão dos baixos salários nunca é apontada como pelo menos um dos principais fatores do decadente nível de vida da população. Parte-se do pressuposto que não há nada de errado com o sistema econômico. E como a ideologia burguesa cultua o individualismo à Robinson Crusoé desde os seus fundamentos, quando o cidadão se endivida o problema é dele, somente dele, foi causado por ele e por mais ninguém.
Mas vamos abstrair este quadro e fazer uma análise social, global (ou seja, marxista) deste fenômeno.
Os indivíduos são compelidos a comprarem sempre mais e mais para que a roda da economia capitalista não pare de girar. Se as pessoas compram menos, isso compromete o sistema capitalista, que vive de lucros e precisa vender cada vez mais.
Mas essas pessoas não tem dinheiro para comprar sempre mais e mais, como o capitalismo exige. Vejam então uma das grandes contradições deste sistema: de um lado temos uma enorme quantidade de mercadorias que precisam ser consumidas, e do outro, uma enorme quantidade de consumidores que não tem dinheiro para comprar essas mercadorias.
Mas isso ainda não é o pior: esses consumidores, que não tem dinheiro para comprar essas mercadorias, são, ao mesmo tempo, os seus próprios produtores! Resumindo: os trabalhadores produzem uma enorme quantidade de mercadorias, mas eles próprios não conseguem comprar todas essas mercadorias porque não tem dinheiro, porque seus salários são baixos.
Os capitalistas, por sua vez, não conseguem vender todas as suas mercadorias porque pagam baixos salários aos trabalhadores. Mas se não fizessem isso teriam os seus lucros diminuídos.
Isso é a insanidade. O capitalista então contrata o "marketeiro" (que se apropriou indevidamente até de algumas descobertas da psicanálise) para vender o seu peixe, e faz de tudo para forçar esses trabalhadores a comprarem o seu produto. Nem que para isso seja necessário recorrer ao crédito.
Aí entra o espertalhão do capital financeiro, a mais pura expressão do parasitismo a que chegou o capitalismo desde o início do século passado. Este indivíduo faz dinheiro gerar dinheiro sem passar pelos processos de produção. É alguém completamente dispensável num outro tipo de sociedade, na qual todos devem trabalhar (socialismo).
Este vampiro suga grande parte da energia vital dos trabalhadores, e se enriquece dia após dia apenas de juros. Ele é uma peça fundamental para o capitalista que trabalha na produção, pois sem ele grande parte de suas mercadorias não encontraria saída de seu estoque.
O trabalhador empobrecido, seduzido para ter um pouco além de apenas arroz e feijão (já que ele vive numa sociedade que tem condições de lhe proporcionar isso), acaba se endividando. E a culpa é dele, segundo os "especialistas".
Qual a solução burguesa para isso? Resp: O trabalhador deve se contentar com o arroz e o feijão, deve trabalhar apenas para sobreviver. Mas notem que se os trabalhadores realmente fizessem isso e parassem de consumir, o capitalismo entraria em crise.
Então o trabalhador não pode parar de consumir, mas também não pode se endividar. E aí?
Estas são algumas das grandes contradições do capitalismo, que só podem se harmonizar com a revolução do modo socialista de produção. No capitalismo a produção é coletiva mas a apropriação é privada. Ou seja, os trabalhadores produzem as mercadorias, mas não podem consumi-las porque elas pertencem ao capitalista e não a eles próprios, os produtores.
Já no socialismo, como a produção é coletiva e a apropriação também é coletiva, não há tal problema. Além do que, estando o ser humano em primeiro lugar, tudo é produzido para o seu consumo, e não para o lucro, como ocorre no capitalismo.
O texto abaixo, extraído do livro "Depois do fim - vida, amor e morte nas canções da Legião Urbana", é uma análise literária da letra de "Acrilic on canvas", de Renato Russo, lançada no disco "Dois" (1986).
Suas autoras, Angélica Castilho e Erica Schlude, possuem o título de Doutoras e Mestres em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A letra copiada abaixo mantem todas as pontuações originais de Renato Russo.