Socialismo não é "dividir tudo igual"

Posted: 24.4.12 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Fonte: Blog do Dario

Freud e o sentimento de insignificância do homem diante do universo

Posted: 18.4.12 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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"Os críticos insistem em descrever como ‘profundamente religioso’ qualquer um que admita uma sensação da insignificância ou impotência do homem diante do universo, embora o que constitua a essência da atitude religiosa não seja essa sensação, mas o passo seguinte, a reação que busca um remédio para ela. O homem que não vai além, mas humildemente concorda com o pequeno papel que os seres humanos desempenham no grande mundo, esse homem é, pelo contrário, irreligioso no sentido mais verdadeiro da palavra." (Sigmund Freud, O futuro de uma ilusão)

Reacionários: medíocres e perigosos

Posted: 24.3.12 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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O reacionário é o covarde que passa a vida toda defendendo velhos privilégios e convicções. O mundo e suas mudanças são sempre uma ameaça a ser exterminada. 

- Por Matheus Pichonelli, na Carta Capital, lido no Tudo em cima

O reacionário é, antes de tudo, um fraco. Um fraco que conserva ideias como quem coleciona tampinhas de refrigerante ou maços de cigarro – tudo o que consegue juntar mas não têm utilidade a não ser para ele. Nasce e cresce em extremos: ou da falta de atenção ou do excesso de cuidados. E vive com a certeza de que o mundo fora da bolha onde lacrou seu refúgio é um mundo de perigos, pronto para tirar dele o que acumulou em suposta dignidade.

Como tem medo de tudo, vive amargurado, lamentando que jamais estenderam um tapete à sua passagem. Conserva uma vida medíocre, ele e suas concepções e nojos do mundo que o cerca. Como tem medo, não anda na rua com receio de alguém levar muito do pouco que tem (nem sempre o reacionário é um quatrocentão). Por isso, só frequenta lugares em que se sente seguro, onde ninguém vai ameaçar, desobedecer ou contradizer suas verdades. Nem dizer que precisa relaxar, levar as coisas menos a sério ou ver graça na leveza das coisas. O reacionário leva a sério a ideia de que é um vencedor.

Como passou a vida toda tendo tudo aos alcance – da empregada que esquentava o leite no copo favorito aos pais que viam uma obra de arte em cada rabisco em folha de sulfite que ele fazia – cultivou uma dificuldade doentia em se ver num mundo de aptidões diversas. Para ele, tudo o que é diferente tem potencial de destruição.

Por isso se tranca e pede para não ser perturbado no próprio mundo. Porque tudo perturba: o presidente da República quer seu voto e seus impostos; os parlamentares querem fazê-lo de otário; os juízes estão doidos para tirar os direitos acumulados; a universidade é financiada (por ele, lógico) para propagar ideias absurdas sobre ideais que despreza; o vizinho está sempre de olho na sua esposa, em seu carro, em sua piscina. Mesmo os cadeados, portões de aço, sistemas de monitoramento, paredes e vidros anti-bala não angariam de todo a sua confiança. O mundo está cheio de presidiários com indulto debaixo do braço para visitar seus familiares e ameaçar os nossos (porque os nossos nunca vão presos, mesmo quando botam fogo em índios, mendigos, prostitutas e ciclistas; índios, mendigos, prostitutas e ciclistas estão aí para isso, quem mandou sair de casa e poluir nosso caminho de volta ao lar).

Como não conhece o mundo afora, a não ser nas viagens programadas em pacotes que garantem o translado para o hotel, e despreza as ideias que não são suas (aquelas que recebeu de pronto dos pais e o ensinaram a trabalhar, vencer e selecionar o que é útil e o que é supérfluo), tudo o que é novo soa ameaçador. O mundo muda, mas ele não: ele não sabe que é infeliz porque para ele só o que não é ele, e os seus, são lamentáveis.

Muitas vezes o reacionário se torna pai e aprende, na marra, o conceito de família. Às vezes vai à igreja e pede paz, amor, saúde aos seus. Aos seus. Vê nos filhos a extensão das próprias virtudes, e por isso os protege: não permite que brinquem com os meninos da rua nem que tenham contato com ideias que os retirem da sua órbita. O índice de infarto entre os reacionários é maior quando o filho traz uma camisa do Che Guevara para casa ou a filha começa a ouvir axé e namorar o vocalista da banda (se ele for negro o infarto é fulminante).

Mas a vida é repleta de frestas, e o tempo todo estamos testando as mais firmes das convicções. Mas ele não quer testá-las: quer mantê-las. Por isso as mudanças lhe causam urticárias.

Nos anos 70, vivia com medo dos hippies que ousavam dizer que o amor não precisava de amarras. Eram vagabundos e irresponsáveis, pensava ele, em sua sobriedade.

Depois vieram os punks, os excluídos de aglomerações urbanas desajeitadas, os militantes a pedir o alargamento das liberdades civis e sociais. Para o reacionário, nada daquilo faz sentido, porque ninguém estudou como ele, ninguém acumulou bens e verdades como ele e, portanto, seria muito injusto que ele e o garçom (que ele adora chamar de incompetente) tivessem o mesmo peso numa urna, o mesmo direito num guichê de aeroporto, o mesmo assento na mesa de fast food.

Para não dividir espaços cativos, frutos de séculos de exclusão que ele não reconhece, eleva o tom sobre tudo o que está errado. Sabendo de seus medos e planos de papel, revistas, rádios, televisão, padres, pastores e professores fazem a festa: basta colocar uma chamada alarmista (“Por que você trabalha tanto e o País cresce tão pouco?”) ou música de suspense nas cenas de violência (descontrolada!) na tevê para que ele se trema todo e se prepare para o Armagedoon. Como bicho assustado, volta para a caixinha e fica mirabolando planos para garantir mais segurança aos seus. Tudo o que vê, lê e ouve o convence de que tudo é um perigo, tudo é decadente, tudo é importante, tudo é indigno. Por isso não se deve medir esforços para defender suas conquistas morais e materiais.

E ele só se sente seguro quando imagina que pode eliminar o outro.

Primeiro, pelo discurso. No começo, diz que não gosta desse povinho que veio ao seu estado tirar espaço dos seus. Vive lembrando que trabalha mais e paga mais impostos do que o povinho do estado ao norte, que agora vem construir casas em seu bairro, frequentam os clubes e shoppings antes só repletos de suas réplicas. Para ele, qualquer barberagem no trânsito é coisa da maldita inclusão, aqueles povos bárbaros que hoje tiram carta de habilitação e ainda penduram diplomas universitários nas paredes. No tempo dele, sim, é que era bom: a escola pública funcionava (para ele), o policial não se corrompia (sobre ele), o político não loteava a administração (não com pessoas que não eram ele).

Há que se entender a dor do sujeito. Ele recebeu um mundo pronto, mas que não estava acabado. E as coisas mudaram, apesar de seu esforço e sua indignação.

Ele não sabe, mas basta ter dois neurônios para rebater com um sopro qualquer ideia que ele tenha sobre os problemas e soluções para o mundo – que está, mas ele não vê, muito além de um simples umbigo. Mas o reacionário não ouve: os ignorantes são os outros: os gays que colocam em risco a continuidade da espécie, as vagabundas que já não respeitam a ordem dos pais e maridos, os estudantes que pedem a extensão de direitos (e não sabem como é duro pegar na enxada), os drogados que não estão necessariamente a fim de contribuir para o progresso da nação, o governante que agora vem com esse papo de distribuir esmola, combater preconceitos inexistentes (“nada contra, mas eles que se livrem da própria herança”), os países vizinhos que mandam rebas para emporcalhar suas ruas.

O mundo ideal, para o reacionário, é um mundo estático: no fundo, ele não se importa em pagar impostos, desde que não o incomodem. Como muitos não o levam a sério, os reacionários se agrupam. Lotam restaurantes, condomínios e associações de bairro com seus pares, e passam a praguejar contra tudo.

Quando as queixas não são mais suficientes, eles se organizam (justo ele, que detestava tudo o que era coletivo, do sindicato ao partido político). Juntos, eles identificam e escolhem os porta-vozes de suas paúras em debates nacionais. Às vezes são hilários, às vezes incomodam.

Mas, quando se vê como uma voz inexpressiva entre os grupos que deveriam representá-lo, o reacionário bota para fora sua paranóia, pragueja contra o sistema democrático (às vezes com o argumento de que o sistema é antidemocrático) e se arma. Como o caldo cultural legitima seu discurso e sua paranoia, ele passa a defender crimes para evitar outros crimes – nos Estados Unidos, alvejam imigrantes na fronteira, na Europa, arrebentam árabes latinos, e na Candelária, encomendam chacinas e, em QGs anônimos, planejam ataques contra universitários de Brasília que propagam imoralidades.

O reacionário é um cidadão do mundo. Seu nome é legião porque são muitos. Pode até ser fraco e viver com medo de tudo. Mas nunca foi inofensivo.

Sobre a probabilidade dos milagres

Posted: 15.2.12 by Glauber Ataide in Marcadores: , ,
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Lendo ontem alguns trechos da "Investigação sobre o entendimento humano", de David Hume, me veio à memória um argumento apresentado pelo filósofo cristão William Lane Craig, que li já faz alguns anos, em defesa da questão dos milagres e da ressurreição de Cristo.

É que Craig afirma, contrariando Hume, que mesmo que a ocorrência de um milagre seja um evento altamente improvável, isso não seria razão suficiente para não acreditar nele, pois em nossa vida real acreditamos em diversos outros eventos cuja probabilidade também são astronômicas.

Usando um exemplo de combinações de números da loteria para ilustrar seu argumento, o apologista nos pergunta algo mais ou menos assim: qual a probabilidade de que a combinação de números 02-12-19-22-36-58 seja sorteada na mega-sena? Apesar de ser apenas 1 em 50.063.860, ninguém duvida que essa ocorrência de fato aconteceu no sorteio do dia 11/02/2012. Foi um evento altamente improvável, mas ocorreu.

No entanto, essa analogia de Craig me parece falaciosa. Apesar de não sabermos qual a combinação numérica que cairá em determinado sorteio da loteria, uma coisa é certa: sempre será sorteada uma combinação qualquer cuja probabilidade de ocorrência é de 1 em 50.063.860. 

Uma outra diferença importante entre os milagres e o sorteio é que essa ocorrência é aleatória, não precisa carregar uma intencionalidade como os primeiros. Pois um milagre nunca é um ato aleatório, mas sempre um ato dirigido a um fim pré-determinado (curar uma determinada doença de uma determinada pessoa, transformar água em vinho, etc).

Assim, no caso da loteria, a pergunta deveria ser: qual a probabilidade de que hoje seja sorteada uma combinação qualquer cuja probabilidade de ocorrência de 1 em 50.063.860?

Ora, considerando que os sorteios da mega-sena vem sendo realizados regularmente todas as quartas e sextas, a probabilidade de que este evento não aconteça dessa vez é mínima (não calculei para exemplificar aqui, mas creio não ser necessário para ser compreendido).

Portanto, uma combinação qualquer num sorteio da loteria não é algo tão improvável quanto um milagre. Porque tal comparação, a fim de não ser falaciosa, deveria ser mais ou menos no seguinte sentido: qual a probabilidade de que um morto qualquer ressuscite hoje? E qual a probabilidade de que uma combinação qualquer de X números seja sorteada hoje?

Cultura de massas

Posted: 8.2.12 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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A cultura de massas consegue fabricar em grande escala, com técnicas e procedimentos industriais ideais, sonhos e ilusões, estilos pessoais e até uma vida privada em grande parte produto de uma técnica, subordinada ao lucro e à tensão permanente entre a criatividade e a padronização, apta para poder ser assimilada pelo cidadão de classe média.

A cultura de massas é o desenvolvimento de um novo modelo no qual se reforçam as diferenças e as desigualdades com estratégias e instrumentos mercadológicos cada vez mais elaborados. A ciência e o conhecimento se põe a serviço da produção de valores e símbolos estereotipados.

Os três pilares fundamentais desta cultura são: uma cultura comercial, uma sociedade de consumo e uma instituição publicitária.

Fonte: Sovietofilia

Mulheres gostam de homens inteligentes?

Posted: 26.1.12 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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A literatura de autoajuda vem reforçando um mito segundo o qual a mulher é "mais inteligente" ou "mais culta" que o homem. Talvez isso esteja baseado em estatísticas sobre o número de mulheres que cursam o ensino superior comparado ao de homens, ou coisas assim. Mas a conclusão que costumam tirar disso - que a mulher tenderia muito mais "naturalmente" que o homem aos livros e aos estudos - é uma extrapolação de todas as evidências.

A ideia que vem sendo transmitida é sempre da mulher como ser "sensível", que gosta de ler, que cultiva sua vida interior, enquanto que o homem é um bruto, que gosta de atividades físicas, de motor de carro, de cerveja e futebol. E desses estereótipos temos a oposição "mulher-culta-evoluída" versus "homem-bruto-primitivo".

Daí que, tendendo a mulher "naturalmente" para a cultura e para a erudição, ela então supostamente gostaria de homens "inteligentes". E alguns livros de autoajuda chegam a colocar o quesito "inteligência" entre os três primeiros fatores que decidem a escolha de uma mulher por um determinado parceiro.

Mas vamos confrontar o mito com a vida real, com aquilo que podemos observar no terreno da experiência. Os leitores dirão o quanto minha leitura se aproxima ou se afasta do que eles próprios podem ver.

Dentro dos meus círculos de convívio, pelo menos, observo que os homens são tão inteligentes quanto as mulheres. Alguns mais, outros menos. Mas nada nunca, jamais me fez nem sequer suspeitar que as mulheres fossem mais "inteligentes" que os homens. E entendo inteligência, em todo este texto, como uma faculdade intrinsecamente ligada ao acúmulo, processamento e produção de cultura e erudição, no sentido clássico.

Em segundo lugar, em quase todos os círculos que frequento - com excessão da universidade e dos movimentos sociais - as mulheres são de uma frivolidade ridícula, tanto quanto seus pares homens. O que costumam ler - quando leem - é porcaria, best-sellers (eis aí um critério para escolha de livros: não perca tempo com best-sellers).

Façamos um exercício de experimentação imaginativa. Visualize uma dessas mulheres fúteis, comuns  - telespectadoras do Big Brother e que eu nunca ouvi conversando nada de sério por mais de 2 minutos - tentando conversar com um homem realmente culto, inteligente e erudito. O resultado não seria uma conversa, mas uma palestra (e de 5 minutos, no máximo).

Falemos sobre política com ela, e ela desviará o assunto para a corrupção (é o que ela sabe repetir, pois a mídia hegemônica pauta a política apenas em termos morais, típico da direita, como se isso fosse o maior problema da política brasileira). Tentemos falar de música erudita, mas ela só ouve indústria cultural. Vamos falar de filosofia, mas ela só conhece religião. Vamos falar de psicanálise, mas ela só conhece autoajuda. Vamos falar de arte, cinema, pintura, ópera, mas... isso é tudo tão... "chato"!

Então, o que eu penso sobre esse assunto é o seguinte: as mulheres gostam de homens que tenham um nível intelectual próximo ao seu, and that's all (como diria o Oscar Wilde). Nem muito acima, nem muito abaixo. Assim, só mulheres inteligentes gostam de homens inteligentes. Mulheres fúteis, rasas, esvaziadas, geralmente não se darão bem com homens inteligentes, e por isso buscam alguém mais próximo do seu próprio perfil.

Sêneca, filósofo romano, inclusive disse algo que pode ser apropriado neste contexto, e que mostra por que a compatibilidade de "inteligência" e erudição não pode ser um dos principais critérios para a escolha de um parceiro: "a relação com pessoas diferentes demais de nós perturba o nosso equilíbrio".

Atualização: Vejam o quadrinho que encontrei, por acaso, dois dias depois de publicar este post. Clique para ampliar.


A cabeça de Medusa, por Sigmund Freud

Posted: 15.1.12 by Glauber Ataide in Marcadores:
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Não foi amiúde que tentamos interpretar temas mitológicos individuais, mas uma interpretação sugere-se facilmente no caso da horripilante cabeça decapitada da Medusa.

Decapitar = castrar. O terror da Medusa é assim um terror de castração ligado à visão de alguma coisa. Numerosas análises familiarizam-nos com a ocasião para isso: ocorre quando um menino, que até então não estava disposto a acreditar na ameaça de castração, tem a visão dos órgãos genitais femininos, provavelmente os de uma pessoa adulta, rodeados por cabelos, e, essencialmente, os de sua mãe.

Os cabelos na cabeça da Medusa são freqüentemente representados nas obras de arte sob a forma de serpentes e estas, mais uma vez, derivam-se do complexo de castração. Constitui fato digno de nota que, por assustadoras que possam ser em si mesmas, na realidade, porém, servem como mitigação do horror, por substituírem o pênis, cuja ausência é a causa do horror. Isso é uma confirmação da regra técnica segundo a qual uma multiplicação de símbolos de pênis significa castração.

A visão da cabeça da Medusa torna o espectador rígido de terror, transforma-o em pedra. Observe-se que temos aqui, mais uma vez, a mesma origem do complexo de castração e a mesma transformação de afeto, porque ficar rígido significa uma ereção. Assim, na situação original, ela oferece consolação ao espectador: ele ainda se acha de posse de um pênis e o enrijecimento tranqüiliza-o quanto ao fato.

Esse símbolo de horror é usado sobre as suas vestes pela deusa virgem Atena, e com razão, porque assim ela se torna uma mulher que é inabordável e repele todos os desejos sexuais, visto apresentar os terrificantes órgãos genitais da Mãe. De vez que os gregos eram, em geral, fortemente homossexuais, era inevitável que encontrássemos entre eles uma representação da mulher como um ser que assusta e repele por ser castrada.

Se a cabeça da Medusa toma o lugar de uma representação dos órgãos genitais femininos ou, melhor, se isola seus efeitos horripilantes dos dispensadores de prazer, pode-se recordar que mostrar os órgãos genitais é familiar, sob outros aspectos, como um ato apotropaico. O que desperta horror em nós próprios produzirá o mesmo efeito sobre o inimigo de quem estamos procurando nos defender. Lemos em Rabelais como o Diabo se pôs em fuga quando a mulher lhe mostrou sua vulva.

O órgão masculino ereto também possui um efeito apotropaico, mas graças a outro mecanismo. Mostrar o pênis (ou qualquer de seus sucedâneos) é dizer: ‘Não tenho medo de você. Desafio-o. Tenho um pênis.’ Aqui, então, temos outra maneira de intimidar o Espírito Mau.

A fim de substanciar seriamente essa interpretação, seria necessário investigar a origem desse símbolo isolado de horror na mitologia grega, bem como paralelos seus em outras mitologias.
Artigo publicado na Edição Standard das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vol. XVIII.




"Nem esquerda, nem direita"... Sei... Ahan...

Posted: 3.1.12 by Glauber Ataide in Marcadores: , , ,
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Todo mundo conhece alguém que tenta ser comedido em suas posições políticas afirmando não estar em nenhum espectro das opções "esquerda" e "direita".

Se perguntado se é de um lado ou de outro, afirma não ser de nenhum deles. É verdade que existe o "centro", que reuniria características de ambos, mas o problema é que esse indivíduo nem "centrista" é. Diz estar "acima" dessas posições.

Mas o que dá para perceber é que esses aí, na maioria das vezes, são apenas direitistas envergonhados que ainda não saíram do armário.

Os últimos deste tipo com quem tive um "debate" se dizem "cristãos", e alguns destes, "calvinistas". Quanto a esses, seu objetivo, de forma geral, é implantar um estado teocrático governado pelo teólogo-rei. 

Sim, não seria mais o filósofo-rei da República de Platão, mas o teólogo-rei calvinista, pois só este, apesar de sua "depravação total" (uma doutrina calvinista, para quem não conhece), recebeu iluminação suficiente dos céus para "corrigir" sua mente afetada pelo pecado e contemplar as verdades divinas (o Bem, diria Platão). (É a velha vontade de potência do sacerdote, diria ainda Nietzsche).

Então, não estão nem na esquerda, nem na direita, mas "acima" (!!) disso tudo.

Mas trazendo o calvinista de volta das nuvens, para o mundo real, para a terra, uma única pergunta deve ser suficiente para desmascarar sua evasiva envergonhada de direitista não assumido.

A questão é: qual será o modo de produção de sua sociedade teocrática aqui na terra? A quem pertencem os chamados meios de produção - fábricas, terras, máquinas, etc? São propriedade de alguns poucos indivíduos que se enriquecem às custas da extração de mais-valia dos trabalhadores ou são propriedade social?

Essa resposta vai definir quase tudo, pois é principalmente o tipo de propriedade dos meios de produção em sua sociedade que apontará onde realmente se situa o calvinista.

A evasiva a um posicionamento político já é um posicionamento político. Se dizer "neutro" aqui é como se dizer "imóvel" num barco arrastado por uma correnteza. Pode-se não remar contra a maré, mas cruzar os braços não significa não estar indo a lugar algum.


P.S.: Na foto, marxista, de camisa vermelha, tira calvinista do armário.

O perfeito imbecil politicamente incorreto

Posted: 21.10.11 by Glauber Ataide in Marcadores: ,
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Por Cynara Menezes, na Carta Capital

Em 1996, três jornalistas –entre eles o filho do Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, Álvaro –lançaram com estardalhaço o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano”. Com suas críticas às idéias de esquerda, o livro se tornaria uma espécie de bíblia do pensamento conservador no continente. Vivia-se o auge do deus mercado e a obra tinha como alvo o pensamento de esquerda, o protecionismo econômico e a crença no Estado como agente da justiça social. Quinze anos e duas crises econômicas mundiais depois, vemos quem de fato era o perfeito idiota.

Mas, quem diria, apesar de derrotado pela história, o Manual continua sendo não só a única referência intelectual do conservadorismo latino-americano como gerou filhos. No Brasil, é aquele sujeito que se sente no direito de ir contra as idéias mais progressistas e civilizadas possíveis em nome de uma pretensa independência de opinião que, no fundo, disfarça sua real ideologia e as lacunas em sua formação. Como de fato a obra de Álvaro e companhia marcou época, até como homenagem vamos chamá-los de “perfeitos imbecis politicamente incorretos”. Eles se dividem em três grupos:

1. o “pensador” imbecil politicamente incorreto: ataca líderes LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trânsgeneros) e defende homofóbicos sob o pretexto de salvaguardar a liberdade de expressão. Ataca a política de cotas baseado na idéia que propaga de que não existe racismo no Brasil. Além disso, ações afirmativas seriam “privilégios” que não condizem com uma sociedade em que há “oportunidades iguais para todos”. Defende as posições da Igreja Católica contra a legalização do aborto e ignora as denúncias de pedofilia entre o clero. Adora chamar socialistas de “anacrônicos” e os guerrilheiros que lutaram contra a ditadura de “terroristas”, mas apoia golpes de Estado “constitucionais”. Um torturado? “Apenas um idiota que se deixou apanhar.” Foge do debate de idéias como o diabo da cruz, optando por ridicularizar os adversários com apelidos tolos. Seu mote favorito é o combate à corrupção, mas os corruptos sempre estão do lado oposto ao seu. Prega o voto nulo para ocultar seu direitismo atávico. Em vez de se ocupar em escrever livros elogiando os próprios ídolos, prefere a fórmula dos guias que detonam os ídolos alheios –os de esquerda, claro. Sua principal característica é confundir inteligência com escrever e falar corretamente o português.

2. o comediante imbecil politicamente incorreto: sua visão de humor é a do bullying. Para ele não existe o humor físico de um Charles Chaplin ou Buster Keaton, ou o humor nonsense do Monty Python: o único humor possível é o que ri do próximo. Por “próximo”, leia-se pobres, negros, feios, gays, desdentados, gordos, deficientes mentais, tudo em nome da “liberdade de fazer rir.” Prega que não há limites para o humor, mas é uma falácia. O limite para este tipo de comediante é o bolso: só é admoestado pelos empregadores quando incomoda quem tem dinheiro e pode processá-los. Não é à toa que seus personagens sempre estão no ônibus ou no metrô, nunca num 4X4. Ri do office-boy e da doméstica, jamais do patrão. Iguala a classe política por baixo e não tem nenhum respeito pelas instituições: o Congresso? “Melhor seria atear fogo”. Diz-se defensor da democracia, mas adora repetir a “piada” de que sente saudades da ditadura. Sua principal característica é não ser engraçado.

3. o cidadão imbecil politicamente incorreto: não se sabe se é a causa ou o resultados dos dois anteriores, mas é, sem dúvida, o que dá mais tristeza entre os três. Sua visão de mundo pode ser resumida na frase “primeiro eu”. Não lhe importa a desigualdade social desde que ele esteja bem. O pobre para o cidadão imbecil é, antes de tudo, um incompetente. Portanto, que mal haveria em rir dele? Com a mulher e o negro é a mesma coisa: quem ganha menos é porque não fez por merecer. Gordos e feios, então, era melhor que nem existissem. Hahaha. Considera normal contar piadas racistas, principalmente diante de “amigos” negros, e fazer gozação com os subordinados, porque, afinal, é tudo brincadeira. É radicalmente contra o bolsa-família porque estimula uma “preguiça” que, segundo ele, todo pobre (sobretudo se for nordestino) possui correndo em seu sangue. Também é contrário a qualquer tipo de ação afirmativa: se a pessoa não conseguiu chegar lá, problema dela, não é ele que tem de “pagar o prejuízo”. Sua principal característica é não possuir ideias além das que propagam os “pensadores” e os comediantes imbecis politicamente incorretos.

Peça Radiofônica: "A árvore de Natal na casa do Cristo", de Dostoiévski

Posted: 29.9.11 by Glauber Ataide in Marcadores:
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No post anterior compartilhamos "A árvore de Natal na casa do Cristo", um pequeno escrito de Dostoiévski carregado de grande sensibilidade. Dando sequência ao surto dostoievskiano que acometeu hoje este blogueiro, compartilho novamente a mesma obra, mas agora em uma versão radiofônica. 

Você pode ouvi-la usando o controle ao final desta página ou então fazendo o download do Mp3 (14,6MB) no link mais abaixo. O tempo de duração é 21:16 minutos.

P.S.: Se você ainda não leu a história, sugiro que faça isso antes.

Informações extraídas do site dos autores:

A árvore de Natal da casa do Cristo [ Uma Leitura Radiofônica do conto de Fiódor Dostoiévski  - 1997 ].

Posso dizer que o interesse maior da peça está numa idéia simples e um tanto arriscada: intercalar a narrativa original de Dostoiévski com depoimentos de meninos de rua da Praça da Sé.

Sinceramente, acho o resultado alcançado muito interessante:  uma fusão intuitiva e experimental de ficção e documentário – algo próximo ao formato radiofônico conhecido como “feature”.

Autores: Roberto D'Ugo e Adriana Cotias.
Reportagens: Marilu Cabañas. Narração: Hélio Vaccari. 
Trabalhos Técnicos: Jonas Bicev (Transmitido pela Cultura FM em dez.1999).



Clique aqui para fazer o download da peça radiofônica "A árvore de Natal na casa do Cristo", de Dostoiévski.